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Tecnologia

Clientes corporativos cobram uso de IA e ameaçam trocar escritórios de advocacia

Relatório aponta que empresas cobram resultados de inteligência artificial e exigem segurança de dados por parte de prestadores

Por Redação Diário Local

Clientes corporativos estão cobrando resultados concretos e maior segurança no uso de inteligência artificial (IA) para decidir a contratação de escritórios de advocacia e prestadores de serviços profissionais. O levantamento Future of Professionals 2026, realizado pela Thomson Reuters, indica que a tecnologia passou a influenciar diretamente a manutenção de contratos e a forma de cobrança de honorários.

De acordo com a pesquisa, 78% dos clientes corporativos entrevistados consideram muito importante ou essencial que seus prestadores utilizem IA para elevar a qualidade dos serviços. Contudo, apenas 6% dos entrevistados afirmam que a maioria ou todos os seus fornecedores conseguem atender a essa demanda tecnológica.

A pressão por eficiência reflete um risco comercial relevante. Cerca de 32% dos clientes pretendem reavaliar seus relacionamentos com prestadores de serviços nos próximos 12 meses. Desse grupo, um terço estima que mais de US$ 1 milhão em contratos anuais esteja sujeito a essa revisão.

Como a IA impacta os honorários?

A maior produtividade gerada pela automação está provocando debates sobre o modelo de negócios jurídico. Se tarefas que exigiam horas de pesquisa e elaboração de documentos são concluídas em menos tempo, os clientes passam a questionar como esses ganhos devem ser repassados nos honorários.

O relatório aponta que 71% dos profissionais de departamentos jurídicos esperam que os escritórios alterem seus modelos de negócios e a forma de cobrança por hora à medida que a tecnologia avance. Em contrapartida, 62% dos profissionais de escritórios afirmam que a estrutura de precificação permanece inalterada, o que pode gerar conflitos entre contratantes e prestadores.

A dificuldade reside em demonstrar valor sem focar apenas na redução de horas. A qualidade da análise jurídica e a capacidade de antecipar riscos continuam sendo elementos centrais, uma vez que a simples aquisição de ferramentas não garante retorno financeiro sem a integração aos processos internos do escritório.

Quais são os riscos de segurança de dados?

A adoção acelerada da tecnologia traz preocupações sobre o sigilo profissional. Na América Latina, 84% dos profissionais jurídicos utilizam alguma ferramenta de IA pelo menos uma vez por semana, mas apenas 48% têm acesso a soluções desenvolvidas especificamente para atividades profissionais.

Um dado crítico do levantamento é que 34% dos profissionais admitem utilizar ferramentas de IA que não foram aprovadas por suas organizações. Isso cria o risco de informações sobre clientes, contratos e processos serem inseridas em sistemas sem o controle adequado do escritório, expondo dados protegidos por sigilo.

Além da segurança, há o risco de respostas incorretas ou sem fundamentação verificável. Segundo a Thomson Reuters, a discussão sobre IA exige agora políticas de governança mais rígidas, controles de acesso e procedimentos de revisão humana para garantir que as respostas possam ser explicadas e defendidas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.