Ibovespa registra maior alta em 6 anos e bate recorde histórico após primeiro turno das eleições
Índice alcançou 206.911 pontos após eleição de 2026; dólar caiu 4,4% no mês com entrada de capital estrangeiro.
Por Redação Diário Local
A Bolsa brasileira registrou sua maior alta em seis anos após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. O Ibovespa alcançou 206.911,89 pontos, o que representa uma alta de 7,70% no pregão.
Durante a sessão, o principal índice do mercado acionário brasileiro chegou a atingir a marca de 209 mil pontos, estabelecendo um novo recorde histórico. O desempenho ocorre após a subida de 2,63% registrada na sexta-feira (2) e a valorização de 0,47% na última sessão antes do segundo turno.
Ao comparar os dois períodos eleitorais, o índice apresentou uma alta acumulada de 6,9%. Segundo dados da Consultoria Elos Ayta, esse movimento é um dos maiores registrados em 24 anos, superado apenas pelas eleições de 2002 (8,15%) e 2006 (7,90%).
O que impulsionou a alta do mercado?
O principal fator para a valorização dos ativos foi o fechamento das taxas de juros de longo prazo. O movimento foi impulsionado pela entrada de capital estrangeiro, que somou R$ 20,15 bilhões ao mercado brasileiro em outubro.
A entrada de recursos externos foi recorde no dia 5 de outubro, com aporte de R$ 10 bilhões. De acordo com dados da B3, o mês de outubro é o segundo com maior entrada de capital estrangeiro, perdendo apenas para o mês de janeiro, quando foram trazidos R$ 26,4 bilhões.
Entre as ações que mais ganharam destaque no período, destacam-se papéis de empresas como Magazine Luiza e MRV, acompanhando a trajetória de setores como construção, varejo e educação, que são sensíveis às oscilações de juros.
Impacto no câmbio e no dólar
O fluxo positivo de investidores estrangeiros favoreceu o real. O dólar, em relação à moeda brasileira, recuou 4,4% no mês. No dia 2 de outubro, a divisa norte-americana era cotada a R$ 5,21, caindo para R$ 4,98 nesta sexta-feira (23).
No acumulado do ano, a queda do dólar já chega a 9,1%. No último dia de negociações antes do segundo turno, a moeda registrou queda de quase 1%, fechando a R$ 4,98, refletindo o tom das pesquisas eleitorais durante o mês de outubro.
O economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, pontuou que, embora o dólar tenha tido recuo no fim do dia, o ambiente permanece de cautela devido ao equilíbrio indicado pelas pesquisas e à proximidade do debate televisivo.
Expectativas para o segundo turno
Apesar de levantamento do Datafolha divulgado na noite de quinta-feira indicar empate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, com 50% de intenções de voto válidos, parte do mercado financeiro projeta uma vitória de Flávio.
O diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, afirmou que o mercado opera com uma leitura antecipada dos fatos e que a expectativa em torno da vitória do senador já era observada desde a manhã do último pregão.
Em relação ao câmbio, analistas do Goldman Sachs projetam que o dólar pode chegar a R$ 4,70 em três meses, caso haja combinação de ajuste fiscal e governabilidade favorável. Já segundo levantamento do Citi, 49,3% dos participantes do mercado esperam que o Ibovespa suba mais de 5% na segunda-feira em um cenário de vitória de Flávio Bolsonaro.
