Percentual de jovens 'nem-nem' cai para 22,4% no Brasil, aponta relatório da OCDE
Relatório Panorama da Educação 2026 mostra redução de 4,4 pontos percentuais na parcela de jovens de 18 a 24 anos que não estudam nem trabalham.
Por Redação Diário Local
A parcela de jovens brasileiros entre 18 e 24 anos que não estudam, não trabalham e nem participam de treinamentos ou formações caiu para 22,4% no Brasil. O índice, que era de 26,8% em 2016, foi divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no relatório Panorama da Educação 2026.
A redução de 4,4 pontos percentuais é considerada positiva por especialistas. Segundo o psicólogo e administrador Caio Gracco Lima Ancillotti, a queda aumenta o quantitativo de pessoas contribuindo para a economia do país ou em processo de preparação para o mercado de trabalho.
Ancillotti também destaca que o trabalho e o estudo são espaços importantes para a construção da identidade profissional, permitindo que o jovem estabeleça relações e contribua para sua saúde mental e bem-estar.
Quais os riscos da redução estatística?
Apesar do movimento de queda, o economista-chefe do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (Ibef-ES), Felipe Storch, esclarece que é necessário entender o destino dos jovens que deixaram de integrar a estatística. De acordo com o economista, ocupações informais, com baixa remuneração e pouca possibilidade de qualificação, também retiram o jovem do grupo dos chamados "nem-nem".
Storch defende que a redução do índice não garante, de imediato, melhores perspectivas econômicas para essa população. Ele aponta a necessidade de combater a evasão escolar, ampliar a educação profissional e tecnológica e aproximar a formação das competências exigidas pelo mercado.
O papel da formação prática
Para o CEO e sócio da Multivix, Tadeu Penina, o ato de conciliar a graduação com o trabalho auxilia no desenvolvimento de habilidades como responsabilidade, gestão de tempo e capacidade de adaptação. Ele ressalta que o mercado atual valoriza a combinação entre formação acadêmica e experiência prática.
O relatório da OCDE também trouxe outros dados sobre a educação no Brasil. A proporção de jovens entre 25 e 34 anos sem o ensino médio completo recuou de 35%, em 2016, para 26%, em 2024. No recorte de gênero, as mulheres apresentam 7% a mais de probabilidade de concluir a educação básica do que os homens.
No que diz respeito ao ensino superior, o estudo indica que, em 2024, 22% dos adultos brasileiros em idade ativa (entre 25 e 64 anos) possuíam o nível superior completo.
