JPMorgan rebaixa Frasle Mobility para venda e mantém Tupy e Iochpe-Maxion como favoritas
Banco revisou estimativas para setor de autopeças; empresas com exposição aos EUA são preferidas em relação às focadas no mercado doméstico.
Por Redação Diário Local
O JPMorgan revisou suas estimativas para o setor brasileiro de autopeças e adotou uma postura cautelosa para o segmento. O banco rebaixou a recomendação da Frasle Mobility de neutro para venda, enquanto manteve a Tupy e a Iochpe-Maxion como as companhias preferidas do setor.
A análise aponta que empresas com maior exposição ao mercado doméstico enfrentam pressões causadas pelo cenário macroeconômico do Brasil. O cenário é marcado por juros elevados por mais tempo e crescimento tímido do Produto Interno Bruto (PIB), fatores que afetam a produção de veículos pesados, como caminhões e ônibus.
Em contrapartida, companhias com forte presença internacional, especialmente nos Estados Unidos, podem se beneficiar da recuperação do mercado americano de caminhões. Além disso, uma eventual desvalorização do real poderia favorecer essas empresas ao compensar a fraqueza do mercado interno.
Recomendações para Frasle Mobility e Randoncorp
Para a Frasle Mobility (FRAS3), o JPMorgan estabeleceu o preço-alvo de R$ 28 para dezembro de 2027. A mudança de recomendação para venda foi motivada pelo potencial de valorização limitado e pela fraqueza dos resultados no curto prazo.
O banco também citou o nível de endividamento da controladora, a Randoncorp (RAPT4), como fator de risco. Com isso, o JPMorgan reduziu em 9% sua estimativa de lucro por ação para a Frasle em 2027, valor que agora está 6% abaixo do consenso de mercado.
A Randoncorp segue com recomendação de venda, mas teve seu preço-alvo elevado de R$ 6 para R$ 6,50 para dezembro de 2027. A avaliação considera a combinação de juros altos e o crescimento lento no Brasil.
O endividamento da Randoncorp também é um ponto de atenção, com uma dívida líquida de 3,2 vezes o EBITDA no segundo trimestre de 2026, o maior nível entre as empresas acompanhadas pelo banco. O JPMorgan agora estima um prejuízo de R$ 90 milhões para a companhia este ano.
Preferências do setor e dividendos
A Tupy (TUPY3) permanece com recomendação de compra e teve o preço-alvo elevado de R$ 18 para R$ 23 para dezembro de 2027. O banco projeta um potencial de valorização de 38%, o maior entre as empresas monitoradas.
O otimismo com a Tupy deve-se aos avanços de governança, como a nomeação de um novo CEO, e à recuperação do ciclo de caminhões na América do Norte. Os pedidos líquidos de caminhões Classe 8, por exemplo, acumularam alta de 103% no ano.
A Iochpe-Maxion (MYPK3) também mantém a recomendação de compra, com preço-alvo ajustado de R$ 12 para R$ 13 para dezembro de 2027. O banco destaca que 66% das receitas da empresa são geradas fora do Brasil, o que favorece a retomada de margens.
Já a Mahle Metal Leve (LEVE3) segue com recomendação neutra, mas teve o preço-alvo elevado de R$ 42 para R$ 45 para dezembro de 2027. O banco destaca um rendimento de dividendos (dividend yield) estimado em 12% para 2027.
Apesar do potencial de dividendos, a Mahle Metal Leve deve ter o crescimento de receita limitado pela sua exposição ao mercado brasileiro, que representa cerca de 70% de suas receitas totais.
De acordo com a ordem de preferência estabelecida pelo JPMorgan, a Tupy e a Iochpe-Maxion lideram o ranking do setor, seguidas por Randoncorp, Mahle Metal Leve e Frasle Mobility.
