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Economia

Juros altos consomem lucro de empresas do Ibovespa e elevam risco para investidores

Levantamento da TAG Investimentos mostra que o custo da dívida consumiu 6,6% da receita de uma amostra de empresas no 2º trimestre.

Por Redação Diário Local

O custo elevado das dívidas tem impactado os resultados de diversas empresas listadas no Ibovespa, elevando o nível de atenção para investidores de ações e crédito privado. Segundo levantamento da gestora TAG Investimentos, o resultado financeiro líquido de uma amostra de 44 companhias do índice consumiu 6,6% da receita dessas empresas no segundo trimestre, contra 5,3% no mesmo período do ano passado.

O peso do serviço da dívida reflete a trajetória da taxa Selic, que atingiu o patamar de 14% ao ano. O aumento nos juros básicos eleva o custo de capital, afetando principalmente empresas que dependem de empréstimos para financiar o cotidiano, investimentos em máquinas ou expansão de operações.

O que é o índice de cobertura de juros?

Para medir a saúde financeira de uma companhia sob o impacto dos juros, o mercado utiliza o índice de cobertura de juros. Esse indicador compara o lucro operacional (EBIT) com a despesa financeira de pagamento de juros do período.

Uma empresa é considerada saudável quando possui uma margem de segurança confortável, com um índice acima de 3 vezes. Isso significa que o lucro operacional seria capaz de pagar os gastos com juros três vezes.

O alerta de vulnerabilidade ocorre quando esse indicador cai abaixo de 1,5 vez. A partir desse ponto, o custo da dívida passa a ser considerado muito relevante para o resultado da companhia.

Quais empresas estão em zona de risco?

O estudo da TAG Investimentos identificou sete empresas do Ibovespa que operam na chamada "zona vulnerável", com índice de cobertura abaixo de 1,5 vez. As companhias, em ordem decrescente de cobertura, são:

Localiza (1,3 vez), Smart Fit (1,2 vez), PetroRecôncavo (1 vez), Klabin (1 vez), Energisa (0,9 vez), Magazine Luiza (0,6 vez) e Auren (0,5 vez).

Nos três últimos casos da lista, o lucro operacional não é suficiente para cobrir os gastos com juros das dívidas. Segundo a gestora, são operações em que o lucro é "destruído" pelo custo do crédito.

Impacto no varejo e consumo

A pressão dos juros também atinge o consumo das famílias, especialmente no setor de varejo. No segundo trimestre, as vendas em termos reais — o critério de "vendas nas mesmas lojas", que exclui novos pontos de venda — apresentaram queda em diversas redes.

A maior retração registrada foi da Lojas Renner, com queda de 4,1% nas mesmas lojas na comparação real. O Assaí e a Iguatemi também apresentaram recuos de 3,7% e 2,9%, respectivamente.

Por outro lado, o setor de varejo apresentou casos de resistência. A RD Saúde, por meio das redes Drogasil e DrogaRaia, e a Vivara conseguiram manter desempenho frente à pressão financeira, enquanto o Magazine Luiza utilizou o período de demanda da Copa do Mundo para sustentar parte de suas vendas, apesar de ter registrado despesas financeiras de R$ 572 milhões.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.