Expansão de cafés especiais impulsiona venda de acessórios e equipamentos para uso doméstico
Consumidores investem em moedores e cafeteiras para replicar experiência de cafeterias; mercado de máquinas deve crescer até 2034
Por Davy Albuquerque
A expansão do consumo de cafés de qualidade no Brasil tem impulsionado o mercado de acessórios e equipamentos para o preparo doméstico. O interesse por cafés especiais, cujo segmento cresce entre 15% e 21% ao ano, está levando consumidores a investirem em utensílios para replicar a experiência de cafeterias em casa.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), cerca de 80% dos entusiastas da bebida, conhecidos como "coffee lovers", possuem um espaço dedicado ao preparo em suas residências. Além disso, a pesquisa indica que quase 92% desse público realiza a moagem dos grãos em casa.
O comportamento de consumo também mudou estruturalmente. Um estudo da National Coffee Association (NCA) revelou que 84% dos consumidores de café preparam a bebida em casa, o que representa um aumento de 4% em comparação ao período pré-pandemia, em 2019.
O que os consumidores buscam?
A busca por maior qualidade tem elevado a procura por equipamentos específicos. Entre os itens mais procurados estão moedores de grãos (elétricos ou manuais), chaleiras de bico fino e métodos de extração refinados, como o V60 e o Melitta.
No caso das cafeteiras de cápsula, a escolha depende do tipo de sistema. Existem as máquinas de sistema fechado, que operam apenas com cápsulas da própria marca, e as de sistema aberto, que são compatíveis com diversas marcas de cápsulas.
Para quem busca uma experiência de barista, métodos manuais como a prensa francesa e a cafeteira italiana (Moka) são alternativas que dispensam o uso de filtros de papel. Já suportes de alta performance, como o Chemex, são preferidos por quem busca bebidas mais aromáticas.
Projeções para o mercado de máquinas
O mercado global de máquinas de café apresentou avaliação de US$ 12,41 bilhões (R$ 64,57 bilhões) em 2025. A tendência é de crescimento acelerado: a projeção é que o setor saia de US$ 13,01 bilhões em 2026 para US$ 19,06 bilhões (R$ 99,17 bilhões) até 2034.
O setor residencial detém 38% da participação de mercado de máquinas de café, impulsionado pelo interesse em sistemas de preparo premium e máquinas compactas e inteligentes. Consumidores buscam cada vez mais máquinas de expresso, sistemas de cápsulas e modelos automáticos.
Especialistas sugerem que, para garantir a qualidade, o consumidor deve focar na moagem no momento do preparo e na qualidade da água, já que a bebida é composta por cerca de 98% de água e o uso de água com cloro pode alterar o sabor.
