Governo planeja Lei de Reciprocidade para responder a novas tarifas dos Estados Unidos
Vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil terá programa de apoio aos setores afetados pelas novas medidas comerciais americanas
Por Davy Albuquerque
O governo brasileiro planeja utilizar a Lei de Reciprocidade para reagir às novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A declaração foi feita pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (17), em resposta ao anúncio de taxas feito pelo governo norte-americano.
Alckmin classificou a medida dos Estados Unidos como injusta e cabível, afirmando que os argumentos apresentados para a imposição das taxas partem de uma base "totalmente falsa". Segundo o vice-presidente, o Brasil definirá o momento adequado para implementar a resposta comercial e contará com um programa de apoio aos setores afetados.
A nova política tarifária gerou forte consternação entre os produtores brasileiros de etanol e açúcar. O setor avalia que a imposição de 25% de taxa sobre os produtos brasileiros representa um retrocesso na cooperação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Dados da União da Indústria da Cana-de-Açúcar e da Bioenergia (Unica) reforçam o tamanho do impacto para o agronegócio. Os Estados Unidos consolidaram-se como o segundo mercado externo mais importante para o etanol brasileiro, perdendo apenas para a Coreia do Sul.
Em 2025, o mercado norte-americano foi o destino de 253 milhões de litros de etanol exportados pelo Brasil. O volume movimentado pelo setor para os Estados Unidos somou US$ 163 milhões ao longo do período.
Controvérsia sobre o Pix
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também se manifestou sobre a disputa. Ele declarou que os argumentos utilizados pelo governo dos Estados Unidos contra o Pix são apenas uma desculpa para justificar a criação de uma lógica que sustente as novas tarifas.
Galípolo explicou que o sistema de pagamentos cumpre funções de dinheiro ao substituir o uso de cheques e do dinheiro físico. No entanto, o presidente da autoridade monetária ressaltou que a ferramenta não reduz o uso do cartão de crédito no Brasil.
A tensão comercial ocorre em um cenário de volatilidade nos mercados. O Ibovespa, índice de referência da bolsa brasileira, fechou a sexta-feira (17) com queda de 1,24%, cotado a 173.825,27 pontos, pressionado pelas ações da Vale e do Itaú Unibanco.
