Demanda dos EUA por equipamentos elétricos pode compensar nova taxa sobre produtos do Brasil
Alta procura por itens elétricos nos Estados Unidos pode mitigar efeito de tarifa de 25% imposta sobre exportações brasileiras.
Por Davy Albuquerque
A alta demanda dos Estados Unidos por equipamentos elétricos pode compensar o impacto da nova tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras do setor. A avaliação foi feita pelo presidente da Hitachi Energy para o Brasil, Glauco Freitas, nesta quinta-feira (17).
Os transformadores elétricos e outros dispositivos essenciais para projetos de geração, transmissão e distribuição de energia estão na lista de produtos que passam a ser taxados pelos EUA a partir de 22 de julho. A medida faz parte de uma nova investida comercial do governo de Donald Trump.
A nova tributação ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar uma rodada anterior de tarifas globais. O movimento altera o cenário de comércio entre os dois países para produtos de infraestrutura energética.
Segundo Freitas, a medida poderá afetar o apetite por novos pedidos da Hitachi Energy que tenham como destino o mercado norte-americano a partir da produção brasileira. No entanto, o executivo ressaltou que as encomendas que já estão na carteira da empresa possuem proteção por dispositivos contratuais.
Por que o impacto pode ser limitado?
O executivo ponderou que o impacto final ainda é incerto, dado o forte volume de pedidos no mercado dos EUA. A demanda por equipamentos do setor elétrico tem crescido devido à expansão do consumo de energia ligada aos processos de eletrificação.
Outro fator determinante para a manutenção do setor é a expansão de data centers voltados para inteligência artificial, que exigem infraestrutura elétrica robusta. Para Freitas, em alguns casos específicos, a necessidade de garantir a infraestrutura é tão alta que o preço pode não ser o principal fator de decisão de compra.
A Hitachi Energy é uma subsidiária do conglomerado japonês Hitachi e atua na produção de transformadores de potência e itens para a transição energética. A empresa possui operações industriais no Brasil para atender tanto o mercado interno quanto o externo.
Atualmente, a fabricante opera fábricas em Guarulhos (SP) e Blumenau (SC), com uma terceira unidade em fase de construção em Pindamonhangaba (SP). Os Estados Unidos figuram como um dos principais mercados atendidos pela produção brasileira da companhia.
