Mercado de opções volta a precificar risco de volatilidade antes do segundo turno
Investidores pagam prêmio adicional para manter posições durante o evento eleitoral, com Banco do Brasil registrando maior volatilidade
Por Redação Diário Local
O mercado de opções voltou a precificar o risco de volatilidade às vésperas do segundo turno das eleições. Os contratos que atravessam o período de votação apresentam volatilidade implícita mais elevada do que aqueles que vencem antes do pleito, refletindo o custo de manter posições durante o evento eleitoral.
Nesta quarta-feira (21), os dados de opções mensais mostram que o Banco do Brasil (BBAS3) destoa dos demais ativos com os maiores níveis de incerteza. A volatilidade implícita da ação está entre 67% e 69%, enquanto a da Petrobras (PETR4) varia de 46% a 48% e a do BOVA11 fica entre 44% e 46%.
Por que o custo das opções sobe antes do segundo turno?
A elevação do preço ocorre porque os contratos que permanecem ativos durante o fim de semana da votação carregam um prêmio de incerteza. Como o mercado fica fechado durante o período eleitoral, não é possível realizar ajustes nas posições, deixando o investidor exposto ao movimento que o ativo possa apresentar na reabertura da Bolsa.
Matheus Medeiros, analista da Nomos, explica que o mercado passa a cobrar um valor adicional de quem deseja manter posições durante o evento. Esse movimento retoma uma dinâmica observada antes do primeiro turno, quando os níveis de volatilidade também subiram antes da votação e recuaram logo após o resultado, em um movimento conhecido como "vol crush".
O que a volatilidade implícita indica?
A volatilidade implícita (IV) é uma medida extraída dos preços das próprias opções que indica o tamanho do movimento futuro que o mercado projeta para o ativo. Quando a IV sobe, as opções tendem a ficar mais caras, pois os investidores pagam mais para se proteger ou para buscar ganhos com oscilações maiores.
É importante ressaltar que a volatilidade não define a direção do movimento. Um índice de volatilidade elevado não significa que o mercado espera uma queda ou alta específica, mas sim que há uma expectativa de maior oscilação e incerteza em torno do resultado das urnas.
Diferenças entre os ativos analisados
O Banco do Brasil apresenta o sinal mais forte de reprecificação do risco na reta final eleitoral, com uma sensibilidade que pode estar relacionada a expectativas de políticas públicas e risco político. Contudo, o desempenho da carteira de crédito e a exposição ao agronegócio também influenciam a percepção sobre o banco.
Já o BOVA11 apresenta a menor volatilidade entre os três, pois, por representar uma cesta ampla de ações, acaba diluindo riscos específicos de empresas individuais. A Petrobras mantém uma faixa intermediária, apesar de também apresentar volatilidade relevante no período.
