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Economia

Uso do Pix impulsiona o empreendedorismo no Brasil, aponta estudo de pesquisadores da UFRJ e do Banco Central

Análise de pesquisadores da UFRJ e do Banco Central mostra que o sistema de pagamentos instantâneos favorece o trabalho por conta própria.

Por Redação Diário Local

O uso do Pix tem contribuído para a expansão do empreendedorismo no Brasil, segundo uma análise econométrica baseada em dados do sistema de pagamentos e do mercado de trabalho nacional. O estudo indica que o sistema de pagamentos instantâneos atua como um catalisador de mudança estrutural na atividade econômica do país.

A pesquisa foi conduzida pelo professor de macroeconomia e finanças do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Claudio de Moraes, que também atua no Banco Central (BC), e por Aristides Andrade Cavalcante Neto, chefe do Departamento de Gestão Estratégica e Supervisão Especializada (Degef) do BC.

A análise avaliou a relação entre os dados do sistema de pagamentos e uma métrica de empreendedorismo que considera a razão entre o número de trabalhadores por conta própria e a população na força de trabalho. Para isso, foram utilizados dados do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS), com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Como o estudo foi realizado?

O modelo utilizado pelos pesquisadores considerou dados mensais do período entre março de 2012 e agosto de 2025. A investigação incluiu uma variável específica para marcar o período de operação do Pix, iniciado em 2020, além do volume das transações mensais realizadas com o instrumento.

Para garantir a precisão dos resultados, o estudo incorporou variáveis de controle, como o hiato do produto, a taxa básica de juros e o número total de transações no sistema de pagamentos. Segundo os autores, o efeito positivo do Pix sobre o empreendedorismo permanece constante mesmo em modelos que controlam pelo ciclo econômico e pela política monetária.

Os pesquisadores observaram que, enquanto aumentos na taxa de juros tendem a reduzir a atividade empreendedora, uma infraestrutura de pagamentos mais ativa ajuda a sustentar as condições necessárias para novos empreendimentos.

Limitações e próximos passos

Os autores ponderam que a análise possui limitações devido ao período relativamente curto de funcionamento do Pix. Por isso, afirmam que pesquisas futuras poderão examinar como os efeitos variam entre diferentes regiões e grupos demográficos, além de explorar a interação com outras inovações, como o Open Finance.

Os resultados obtidos pelos pesquisadores farão parte de um capítulo da segunda edição do livro "Disruptive Technology in Banking and Finance: An International Perspective on FinTech", organizado pelo professor Timothy King, da University of Vaasa, na Finlândia, com lançamento previsto para dezembro.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.