Mercado alerta para riscos fiscais e impacto nos juros após eleições de 2026
Especialistas alertam que incerteza sobre as contas públicas pode elevar a taxa Selic e pressionar o câmbio após as eleições.
Por Redação Diário Local
O aumento do déficit do setor público consolidado e a trajetória da dívida pública geram preocupação entre economistas sobre a capacidade de manutenção do compromisso com o equilíbrio fiscal após as eleições de 2026. A expansão de programas sociais e o resultado fiscal atual levantam dúvidas sobre o ajuste das contas para o período de 2027.
Dados divulgados pelo Banco Central indicam que o setor público consolidado — formado pelo governo central, governos regionais e empresas estatais — registrou um déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho. Na comparação com o mesmo mês de 2025, quando o déficit foi de R$ 47,1 bilhões, o rombo aumentou R$ 8,2 bilhões.
No acumulado de 12 meses até junho, o déficit do setor público atingiu R$ 157,2 bilhões, o que equivale a 1,19% do Produto Interno Bruto (PIB). A evolução das contas impacta a relação entre a dívida e o tamanho da economia nacional, que atualmente ultrapassa os 80%.
A falta de equilíbrio orçamentário pode elevar o custo de financiamento do governo e, consequentemente, a taxa Selic (juros básicos da economia). Além disso, a incerteza fiscal pode pressionar o câmbio, provocando a saída de capitais e a queda na demanda pelo real.
A valorização do dólar também é um fator de risco para a inflação. Com o câmbio em alta, o custo de importações e da produção nacional sobe, o que pode exigir uma política monetária mais restritiva, mantendo os juros em patamares elevados e dificultando o ajuste das contas públicas.
Como o cenário fiscal impacta a economia?
Além dos juros e do câmbio, o mercado acionário tem refletido o ambiente de incerteza. Em agosto, investidores estrangeiros retiraram quase R$ 12 bilhões da Bolsa brasileira. Em apenas sete pregões até o dia nesta terça-feira (11) (segunda-feira), a saída líquida chegou a R$ 11,93 bilhões.
O cenário também é influenciado por despesas obrigatórias, como as destinadas à saúde e educação. Especialistas apontam que a vinculação de despesas ao salário mínimo também pressiona o orçamento, uma vez que cada aumento no piso gera crescimento automático nos gastos públicos.
Quais são as frentes para o ajuste das contas?
Entre as propostas para enfrentar o déficit estão reformas na estrutura de despesas obrigatórias e a revisão de gastos como os salários do funcionalismo público. A redução de emendas parlamentares também é citada como uma frente que poderia gerar economia de R$ 20 bilhões por ano.
Outro ponto de debate envolve os programas sociais, como o Desenrola 2.0, o Move Brasil e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. Para especialistas, o desafio é estabelecer uma estratégia fiscal de longo prazo que traga estabilidade para a economia nos próximos cinco ou dez anos.
