Estudo da UFMG projeta expansão de savanas e retração de florestas tropicais até 2060
Pesquisa da UFMG analisa mudanças na vegetação de milhões de anos e alerta para mudanças rápidas na Amazônia e Mata Atlântica.
Por Redação Diário Local
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) projeta a retração de florestas tropicais e a expansão de savanas e outras formações abertas até o período entre 2041 e 2060. A pesquisa, que reconstruiu mudanças na vegetação ocorridas nos últimos 3,3 milhões de anos, alerta que a velocidade das transformações para as próximas décadas pode ser muito superior à observada em períodos geológicos passados.
O trabalho, publicado no Journal of Biogeography, analisou a distribuição de biomas, desertos e áreas úmidas desde o fim do Plioceno até o Holoceno tardio. Os resultados indicam que as mudanças serão mais intensas na Amazônia, especialmente em cenários de altas emissões de gases de efeito estufa.
O que as projeções indicam para a Amazônia?
De acordo com os modelos analisados, o cenário de emissões mais elevadas apresenta um impacto significativo para a região amazônica, com a projeção de uma redução de até 38% da área potencial de floresta. O estudo aponta que as mudanças projetadas para as próximas décadas possuem magnitude comparável às alterações do fim do Plioceno, mas concentradas em um intervalo de tempo drasticamente menor.
Os pesquisadores observaram que, embora um núcleo de aproximadamente 38% da Amazônia tenha permanecido coberto por florestas durante o período de análise histórica, essa estabilidade pode representar um risco. A ideia é que espécies adaptadas a condições climáticas constantes por milhões de anos podem ser menos resistentes a mudanças rápidas do que espécies que evoluíram em ambientes instáveis.
Como está a situação da Mata Atlântica?
Diferente do cenário amazônico, a maior parte da Mata Atlântica já passou por diversas mudanças de vegetação e clima ao longo do período estudado. O levantamento classifica 56,43% do bioma como uma área de elevada instabilidade histórica.
Nesse caso, os pesquisadores ressaltam que o problema central da Mata Atlântica na atualidade é a perda de habitat causada pela ação humana. O desmatamento histórico e recente é apontado como o principal fator de vulnerabilidade do bioma, embora a instabilidade passada possa ter gerado uma biodiversidade mais resiliente a variações ambientais.
Quais as recomendações para a conservação?
A pesquisa busca fornecer subsídios para a criação de políticas públicas de conservação. O objetivo é identificar áreas prioritárias, focando tanto em regiões historicamente estáveis, que podem abrigar espécies mais sensíveis, quanto em áreas sob pressão de desmatamento, caça e incêndios.
Para mitigar os impactos das mudanças climáticas, o estudo reforça a necessidade de combater o desmatamento, as queimadas e as ações predatórias. Além das medidas locais, é destacada a importância de ações globais para a redução das emissões de gases de efeito estufa como forma de proteção efetiva da biodiversidade tropical.
