Volume de serviços estabiliza em junho e acende alerta para inflação persistente
Dados do IBGE mostram estabilidade no setor em junho, mas o distanciamento entre receita e volume preocupa analistas.
Por Redação Diário Local
O volume do setor de serviços no Brasil apresentou estabilidade (0,0%) em junho, na comparação com o mês de maio. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (12), reflete uma desaceleração gradual da atividade econômica que ocorre desde outubro de 2025.
A manutenção do índice em junho superou as expectativas do mercado, que previa um recuo de -0,2%. No entanto, o enfraquecimento da demanda e a estabilidade do setor acendem debates sobre a trajetória da inflação de serviços, componente considerado um dos mais resistentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O que aconteceu com as atividades do setor?
Embora o índice geral tenha ficado estável, os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) revelam uma retração em diversas frentes. Quatro das cinco principais atividades pesquisadas apresentaram queda no período.
Os recuos mais acentuados foram registrados nos serviços profissionais, administrativos e complementares, com queda de 1,4%, e nos serviços prestados às famílias, que recuaram 1,2%. O desempenho geral do setor só não foi negativo devido ao crescimento de 1,8% no segmento de informação e comunicação, impulsionado por serviços de tecnologia da informação.
Outros segmentos também registraram perdas, como o turismo, que recuou 3,4%, e o transporte de passageiros, com queda de 4,0%.
Por que o mercado teme a inflação?
A principal preocupação de especialistas é o descolamento entre o crescimento do volume de serviços e o aumento da receita financeira das empresas. No acumulado de 12 meses, a receita nominal do setor subiu 8,6%, enquanto o volume cresceu apenas 2,0%.
Essa diferença de 6,6 pontos percentuais sugere que o aumento nos valores cobrados está ocorrendo de forma muito superior ao crescimento da atividade real. Esse cenário corrobora a visão de que a inflação de serviços permanece rígida, o que é um ponto de atenção para o Comitê de Política Monetária (Copom).
A resistência dos preços é sustentada, em parte, pelo mercado de trabalho, que mantém a taxa de desemprego em 5,4%. O nível baixo de desemprego ajuda a sustentar a renda e parte da demanda, dificultando a queda acelerada dos preços.
Como isso afeta o PIB e os juros?
Os sinais de desaceleração no setor de serviços também impactam as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB). Estimativas da XP preveem um esfriamento constante da economia, com projeções de alta de 0,3% para o terceiro trimestre deste ano e de 0,1% para o quarto trimestre.
Para o ano de 2027, a projeção é de uma desaceleração mais acentuada, com o PIB crescendo apenas 1%.
Quanto à taxa Selic, o cenário é de cautela. Embora o esfriamento da atividade econômica possa incentivar o Banco Central a continuar os cortes nos juros, o diferencial em relação aos Estados Unidos e a necessidade de monitorar a inflação subjacente devem manter o ritmo de flexibilização moderado.
