Novas tarifas dos EUA podem colocar Brasil em segundo lugar no ranking de países mais taxados
Nova sobretaxa de 25% eleva tarifa média para 18,2% e pode afetar US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, segundo entidades.
Por Davy Albuquerque
Novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem elevar o Brasil ao segundo lugar no ranking dos países mais tarifados pelos norte-americanos. A medida entra em vigor nesta quarta-feira (22) e deve levar a tarifa efetiva média aplicada aos produtos nacionais ao patamar de 18,2%, segundo levantamento do Global Trade Alert (GTA).
Com a implementação das novas sobretaxas, o Brasil ficará atrás apenas da China, que apresenta uma tarifa média de 27%. O cálculo do GTA considera a soma temporária das novas taxas com a cobrança global de 10% estabelecida pela Seção 122, vigente até o dia 25 de julho (sexta-feira).
Quais os impactos esperados para o Brasil?
A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) estima que mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio poderão ser afetados. Esse montante representa 26% de tudo o que o Brasil comercializa com os Estados Unidos.
Segundo a entidade, o tratamento tarifário contrasta com o superávit comercial de US$ 41,8 bilhões registrado pelos Estados Unidos com o Brasil em 2025, além de divergir do baixo patamar de tarifas aplicadas pelo Brasil aos produtos americanos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também demonstrou apreensão. Levantamento da entidade aponta que 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para o mercado norte-americano durante o primeiro trimestre de 2026.
Projeções de mercado e emprego
A medida foi proposta em 1º de junho com a justificativa de que certas políticas brasileiras prejudicariam o comércio norte-americano. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou a tarifa de 25% na última quarta-feira (15).
Projeções da Manchester Investimentos, fundamentadas em relatório do Goldman Sachs, indicam que a medida pode reduzir o fluxo comercial em cerca de US$ 1 bilhão e provocar um impacto de aproximadamente 0,03% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) alertou que as medidas aumentam a insegurança no comércio internacional, podendo reduzir a competitividade das empresas e gerar impactos sobre investimentos, produção, emprego e a integração das cadeias produtivas.
