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Gestão

Viés cognitivo faz líderes confundirem causas e consequências no desempenho de empresas

Estudo sobre o 'efeito halo' mostra como características vistas como virtudes no sucesso tornam-se defeitos no fracasso

Por Redação Diário Local

O fenômeno do viés cognitivo pode levar líderes a confundirem a causa com a consequência ao avaliarem o desempenho de empresas. Através do chamado "efeito halo", características que eram vistas como virtudes durante períodos de sucesso passam a ser interpretadas como defeitos quando os resultados negativos aparecem.

Esse processo de reavaliação retrospectiva altera a percepção sobre comportamentos que já existiam. Atributos como autonomia, que antes eram vistos como sinais de confiança, podem ser reclassificados como falta de controle assim que uma crise emerge, mudando o julgamento sobre a gestão de forma imediata.

O movimento ocorre porque muitos gestores tendem a utilizar explicações isoladas para justificar desempenhos, tratando resultados relativos como se fossem absolutos. Enquanto o desempenho é alto, a cultura e a estratégia são descritas como fortes; quando o cenário rompe essa coerência, as mesmas características são usadas para justificar o fracasso.

Como o efeito halo influencia a gestão?

O efeito halo é um viés cognitivo no qual uma percepção inicial, seja ela positiva ou negativa, influencia a interpretação de outros atributos de um indivíduo ou organização. No ambiente corporativo, isso gera uma ilusão de correlação e causalidade: argumentos são construídos após o conhecimento do resultado, e não antes.

Exemplos dessa mudança de percepção incluem a transição de liderança para autoritarismo, ou de coragem para imprudência. O que era interpretado como agilidade pode ser lido como negligência caso a execução não entregue os resultados esperados, reorganizando o julgamento sobre o que antes era considerado positivo.

Essa dinâmica impede que as organizações identifiquem erros estruturais precocemente. Muitas vezes, investimentos são feitos em ferramentas ou contratações sob a crença de que resolverão problemas que, na realidade, são de natureza organizacional, e não técnica.

Qual o papel da segurança psicológica?

A capacidade de identificar e circular contradições dentro de uma empresa depende da cultura organizacional e da existência de segurança psicológica. Em ambientes com baixa segurança, o questionamento é desencorajado, o que leva ao silenciamento de alertas sobre problemas estruturais.

Quando o contraditório é ignorado, a organização perde a oportunidade de repensar processos. O ato de repensar exige o esforço de demonstrar vulnerabilidade, algo que pode enfrentar resistência devido ao medo das mudanças que o questionamento pode provocar.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.