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Indonésia

Tradição na Ilha de Sumba mantém sistema de escravidão hereditária e trabalho sem salário

Sistema de servidão hereditária na Indonésia mantém homens e mulheres sem salário e submetidos a abusos sob justificativa cultural

Por Redação Diário Local

Na ilha de Sumba, na Indonésia, homens e mulheres vivem em regime de escravidão hereditária devido a práticas culturais de geração em geração. O sistema de servidão faz com que os trabalhadores não recebam salário e passem de um senhor para outro como parte de heranças familiares.

A condição de escravizado na região é permanente. Segundo relatos de moradores e especialistas, a situação não pode ser apagada, o que significa que os filhos dos atuais servos estão destinados a repetir o ciclo de trabalho sem remuneração para as castas superiores.

A sociedade local é dividida em três grupos principais: os nobres (marambas), que são os proprietários de terras e gado; o povo comum (kabihu); e os escravizados ou servos (atas). Os nobres utilizam a mão de obra dos atas para o cultivo de campos, cuidado com animais e manutenção de residências.

Por que a escravidão persiste na região?

A prática está profundamente ligada ao marapu, uma religião local que combina o culto aos ancestrais com o animismo. Essa crença sustenta a estrutura de castas e a posição de autoridade dos nobres sobre os servos.

Embora a Indonésia tenha abolido oficialmente a escravidão em 1860, durante o domínio holandês, o sistema permanece enraizado no leste da ilha. A localização isolada de Sumba, distante de grandes centros como Jacarta e Bali, também contribui para a manutenção dessas tradições.

Especialistas afirmam que a pressão da elite local torna a transição para um modelo social diferente um desafio de longo prazo. A força do costume impede que a condição de servo seja alterada, mesmo em casos de casamento.

Casos de violência e impunidade

O regime de servidão é marcado por relatos de violência física e sexual. Em alguns casos, a cultura local é usada para justificar abusos contra mulheres, que são vistas como propriedade dos senhores.

A impunidade é um fator recorrente, pois muitas vítimas não denunciam os agressores por medo ou por estarem submetidas à autoridade dos nobres. Casos de violência sexual contra mulheres e meninas são reportados, mas as investigações muitas vezes enfrentam dificuldades para avançar.

Apesar de a Constituição da Indonésia de 1945 estabelecer que ninguém pode ser submetido à escravidão, o reconhecimento de direitos consuetudinários (leis de costumes) no código penal cria zonas de tensão entre a legislação nacional e as práticas tradicionais da ilha.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.