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Síria

Relatos de suposta 'casa das irmãs' e sequestros de mulheres geram medo e divisão na Síria

Supostos centros de conversão religiosa forçada e desaparecimentos de mulheres de minorias alimentam narrativas de instabilidade no país.

Por Redação Diário Local

Relatos sobre a existência de uma suposta "casa das irmãs" na Síria, onde mulheres seriam mantidas para conversão religiosa forçada, têm causado forte repercussão e divisão no país. O boato envolve o desaparecimento de mulheres de comunidades minoritárias, como a seita alauita, alimentando temores de sequestros organizados.

Embora o tema gere pânico, investigadores e agências de checagem de notícias apontam contradições. A Verify-Sy, agência de checagem síria, identificou que fotos que circulavam para ilustrar o suposto prédio da "casa das irmãs" foram produzidas por inteligência artificial.

O que se sabe sobre os desaparecimentos?

O caso ganhou força após o desaparecimento de Batoul Alloush, uma estudante alauita de 21 anos. A jovem reapareceu posteriormente afirmando ter decidido se converter ao islamismo por vontade própria, embora seus familiares aleguem que ela pode ter sido drogada ou coagida.

Reham Suleiman, psicóloga que atua junto à comunidade alauita e para as Nações Unidas, explicou que existem casos de mulheres que desapareceram, mas os motivos variam. Segundo ela, enquanto alguns casos podem estar ligados a sequestros para resgate ou vingança, outros parecem ser fuga de contextos familiares ou busca por novos parceiros.

A Anistia Internacional e a Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria afirmam que o número de casos, que oscila entre 40 e 60, não foi totalmente investigado pelas autoridades.

Posicionamento das autoridades

O governo sírio, por meio de uma porta-voz da Ministra de Assuntos Sociais, Hind Kabawat, afirmou que o ministério não concedeu licença para qualquer instituição com o nome "casa das irmãs". Kabawat declarou que centros desse tipo que não possuam licença oficial seriam fechados.

A Verify-Sy também relatou um fluxo constante de alegações não comprovadas sobre prisões e torturas em centros de detenção, dificultando a checagem devido à escassez de evidências em fontes abertas.

Impacto político e desinformação

Para o pesquisador Gregory Waters, do Atlantic Council, o uso dessas informações tem uma intenção política clara: instigar o medo nas comunidades minoritárias para isolá-las do governo e das outras seitas. Segundo ele, a propaganda online utiliza eventos reais para inflar temores já existentes.

Organizações como o Mecanismo de Investigação Sírio (SIM), fundado em maio de 2026, sustentam a tese de que mulheres são coagidas a se converter em centros de proselitismo. Por outro lado, outros grupos e agências de jornalismo investigativo, como a DARAJ, criticam organizações que disseminam essas histórias por supostamente apoiarem o antigo regime de Bashar al-Assad.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.