Candidatos usam termos religiosos em 448 nomes de urna nas eleições de 2026
Levantamento aponta que 448 candidaturas utilizam referências de fé no nome de urna; maioria busca vagas no Legislativo.
Por Redação Diário Local
Um levantamento baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou 448 candidaturas que utilizam referências religiosas em seus nomes de urna nas eleições de 2026. O uso de títulos e termos de fé é uma marca na identificação pública de candidatos durante a disputa.
A maioria das candidaturas que utilizam esses termos busca vagas no Poder Legislativo. Mais de 90% dos candidatos identificados com referências religiosas concorrem aos cargos de deputado federal ou deputado estadual.
O perfil do grupo analisado é composto por 64,7% de homens e 35,3% de mulheres. No estado de Minas Gerais, foram encontradas 30 candidaturas com esse padrão, todas voltadas para as vagas de deputado estadual ou federal.
Como se dividem os termos religiosos nas urnas?
Dentro das 448 candidaturas identificadas, o uso do termo "pastor" ou "pastora" é o mais comum, aparecendo em 287 nomes. Outras referências frequentes incluem os títulos de irmão, missionário e bispo.
O levantamento também apontou a presença de termos ligados a religiões de matriz africana, como referências a Oxalá, Oxum, Ogum, Xangô, entre outros, além da palavra "terreiro".
Em Minas Gerais, o predomínio de termos voltados ao segmento evangélico também foi observado, com 20 registros para "pastor" ou "pastora", enquanto os demais nomes se dividem entre missionário, bispo, padre, irmão e diaconisa.
Qual o impacto da religião na esfera política?
De acordo com pesquisadores do Departamento de Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a presença de grupos religiosos na política é uma forma de representação de interesses de partes da sociedade na esfera pública.
A professora Elisa Rodrigues, da UFJF, pontua que a visibilidade atual desse movimento é impulsionada pela velocidade de circulação de discursos nas plataformas digitais. Para a pesquisadora, a participação religiosa não é incompatível com o Estado laico, desde que o papel dos grupos seja contribuir para o pacto social sem restringir direitos de outros grupos.
O professor Paulo Barrera Rivera, também da UFJF, observa que a participação de setores religiosos nas disputas institucionais tornou-se mais intensa no presente século, com grupos buscando ocupar espaços de decisão e representação política.
