Polícia Federal identifica R$ 24,6 milhões em propinas pagas a agentes públicos e políticos
Relatório da Polícia Federal aponta que altos gestores e políticos recebiam valores apelidados de 'Heróis' e 'Notáveis' para blindar fraude.
Por Davy Albuquerque
A Polícia Federal (PF) identificou o repasse de pelo menos R$ 24,6 milhões em propinas para agentes públicos e políticos durante a primeira fase da Operação Sem Desconto. O montante foi destinado à alta administração do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a políticos para garantir a continuidade de um esquema de fraudes.
Segundo o relatório da PF, os pagamentos eram feitos de forma recorrente para assegurar a fluidez das atividades ilícitas. Os valores eram identificados internamente por meio de códigos e apelidos, como "Heróis", "Notáveis" ou "Amigos".
A investigação aponta que a corrupção funcionava como um mecanismo de blindagem institucional. De acordo com o documento, o apoio de altos gestores era considerado indispensável para manter a fraude em operação.
O esquema fraudulento contou com um impacto expressivo, atingindo mais de 600 mil vítimas. A magnitude do caso gerou milhares de reclamações tanto na esfera administrativa quanto na judicial.
O relatório detalhado foi apresentado na sexta-feira (10) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado é o relator das investigações que apuram as irregularidades no órgão previdenciário.
As conclusões da Polícia Federal serão encaminhadas agora para a Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão é o responsável por conduzir a próxima etapa do processo jurídico.
A PGR poderá decidir pelo oferecimento de uma denúncia formal com base nas provas coletadas. Caso entenda necessário, a instituição também tem autonomia para solicitar novas diligências investigativas.
Outra possibilidade jurídica é o pedido de arquivamento do caso pela Procuradoria. O desfecho depende da análise técnica dos dados e dos fatos apresentados pela PF no relatório.
