Defesa de Cezinha de Madureira nega irregularidades em operação da Polícia Federal
Em nota, advogados do parlamentar afirmam que ele está à disposição da Justiça e criticam o timing da ação policial.
Por Redação Diário Local
A defesa do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) negou a prática de irregularidades em nota divulgada nesta segunda-feira (14). O parlamentar e a advogada Valéria Rodrigues Linhares, apontada como esposa do deputado, foram alvos de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal na manhã de hoje.
A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que levantou o sigilo da decisão após o cumprimento das medidas. Na decisão, o ministro apontou indícios de que o parlamentar utilizava sua função legislativa para simular influência sobre decisões de ministros de tribunais superiores, negociando essa suposta influência financeira.
Em comunicado assinado pelo escritório Carneiros Advogados, a defesa afirmou que Cezinha de Madureira tem "tranquilidade de quem confia plenamente na Justiça". O texto declara que o deputado está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e que os fatos serão devidamente esclarecidos dentro do devido processo legal.
Os advogados também questionaram o momento da operação policial. Segundo a nota, medidas de tamanha repercussão deveriam ser conduzidas com distância de qualquer circunstância política ou eleitoral, conforme estabelece a jurisprudência do STF.
O que investiga a operação
A ofensiva é um desdobramento da Operação Transparência, iniciada em dezembro de 2025. O inquérito apura suspeitas de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro em processos que tramitam em cortes superiores.
De acordo com as apurações da Polícia Federal acolhidas pelo relator, a investigação detalha a divisão de tarefas: a advogada Mariângela Fialek, ex-servidora da Câmara, captava processos e redigia peças; Valéria Linhares formalizava contratos de honorários; e o deputado atuava nos contatos diretos e despachos com ministros.
Mensagens obtidas pela PF revelaram negociações que envolvem valores vultosos, como em processos ligados à defesa da prefeita de Beberibe (CE) e de um ex-secretário de Belford Roxo (RJ). Entre as provas reunidas, consta a apreensão de R$ 510 mil em dinheiro em espécie com Valéria Linhares no Aeroporto de Congonhas (SP), em agosto de 2026.
Posição do STF sobre os magistrados
O ministro Flávio Dino ressaltou expressamente que ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não são investigados e não cometeram irregularidades. O magistrado esclareceu que os membros das cortes superiores figuram apenas como vítimas de exploração de prestígio.
Segundo o despacho, o objeto central da apuração é a "mercancia da influência por quem a ofereceu e a precificou".
