Deltan Dallagnol inclui dados fiscais de Cristiano Zanin em registro de candidatura ao Senado
Ex-procurador anexou documentos sigilosos de Zanin ao processo de candidatura ao Senado pelo Paraná para rebater impugnação
Por Redação Diário Local
O ex-procurador federal Deltan Dallagnol incluiu dezenas de páginas relativas aos sigilos fiscal e bancário do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em seu registro de candidatura ao Senado pelo Paraná. Os documentos foram anexados para rebater uma tentativa de impugnação de sua candidatura no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).
Os dados foram extraídos de um dos processos sigilosos que tramitam contra Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). A defesa do candidato inseriu os documentos no sistema do tribunal sem realizar pedidos para que as informações permanecessem sob sigilo.
O gabinete do ministro Zanin informou que não iria comentar o caso. A campanha de Dallagnol também não respondeu aos questionamentos.
O que dizem os documentos
Os relatórios de inteligência fiscal da Receita Federal, agora expostos, mostram que não foram localizadas contas secretas no exterior, valores não declarados ao Fisco ou transações bancárias suspeitas. Também não foram encontrados bens sem origem lícita comprovada em nome de Cristiano Zanin ou de seu escritório de advocacia.
As informações referem-se a um período em que os sigilos de Zanin foram quebrados em 2019, sob acusação de desvio de dinheiro público na época em que ele atuava como advogado da defesa do então ex-presidente Lula. No entanto, a Segunda Turma do STF anulou as decisões que permitiram a quebra de sigilo e os documentos obtidos pela operação.
Além do ministro, os documentos expostos incluem dados fiscais de sua esposa, Valeska Teixeira Zanin Martins, de seu sogro, Roberto Teixeira, de sua cunhada, Larissa Teixeira, e do escritório Teixeira, Martins & Advogados.
Histórico no CNMP
Em fevereiro de 2021, Zanin apresentou uma representação no CNMP contra Dallagnol e outros 11 procuradores da Lava Jato no Rio de Janeiro. Na ocasião, acusou o ex-procurador de acessar dados de forma clandestina para repassá-los à força-tarefa.
A representação em relação a Dallagnol foi arquivada devido à sua exoneração do Ministério Público Federal (MPF) em 2021, o que gerou a perda de objeto. Outras acusações contra o ex-procurador no conselho também foram arquivadas por prescrição ou por entender que as provas utilizadas não possuíam valor jurídico.
Nesta quinta-feira (3), o Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou pela rejeição da notícia de inelegibilidade de Dallagnol e pelo deferimento do pedido de registro de sua candidatura.
