Diário Local
Diplomacia

Funcionários do Consulado em Hong Kong denunciam perseguição e intimidação em cartas ao Itamaraty

Servidores enviaram cartas ao Itamaraty relatando condutas de embaixador e conselheiro que tornaram o ambiente de trabalho insustentável.

Por Davy Albuquerque

Funcionários do Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong enviaram duas cartas coletivas ao Itamaraty denunciando episódios de perseguição e intimidação. Nos documentos, datados de março e abril de 2026, os signatários afirmam que as condutas do embaixador Wladimir Valler Filho e do conselheiro Hervelter de Mattos tornaram o ambiente de trabalho insustentável.

Os servidores relatam um cenário de insegurança e desmotivação, alegando que decisões passaram a ser tomadas de forma unilateral, sem consultas aos demais membros da equipe. Entre as queixas direcionadas ao embaixador, os funcionários afirmam que Wladimir Valler Filho cumpriria expediente reduzido e realizaria viagens particulares em dias de trabalho.

As cartas também apontam que três servidoras tiveram suas funções esvaziadas ou retiradas sem justificativa. Um dos episódios citados envolve a remoção de uma servidora para a Secretaria de Estado das Relações Exteriores após ela manifestar preocupações sobre a gestão do posto, fato que os autores classificam como possível retaliação.

Quais são as condutas atribuídas ao conselheiro?

Em relação ao conselheiro Hervelter de Mattos, os denunciantes descrevem comportamentos considerados ofensivos e intimidatórios. Segundo o relato, o diplomata utilizava apelidos para se referir a colegas e teria feito comentários inadequados sobre funcionários locais e servidoras da unidade.

Os documentos afirmam ainda que o conselheiro orientava subordinados a ignorar ou apagar e-mails enviados ao consulado. Essa prática teria afetado a área cultural, que apresentava uma caixa de entrada com 129 e-mails sem resposta, incluindo pedidos de apoio institucional e propostas culturais acumulados desde novembro de 2025.

A administração do posto também foi questionada. Os signatários apontam que auxiliares administrativas recém-contratadas assumiram a contabilidade, enquanto uma servidora que chefiava o setor há quase três anos permaneceu afastada das atividades, o que, na visão dos autores, contribuiu para a desorganização da área.

O que diz o Ministério das Relações Exteriores?

O Ministério das Relações Exteriores confirmou o recebimento das cartas enviadas pelo Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty). A pasta informou que as denúncias foram protocoladas na Corregedoria do Serviço Exterior.

De acordo com o Ministério, o caso gerou um procedimento investigativo que resultou na proposta e na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pelos denunciados. Sobre a servidora removida, o Itamaraty declarou que a transferência não possui relação com os fatos que são objeto da investigação.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.