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Religião

Estudo aponta que evangélicos desigrejados são menos conservadores e menos bolsonaristas

Pesquisa indica que grupo sem vínculo com igrejas possui menor índice de conservadorismo moral e apoio a Jair Bolsonaro

Por Redação Diário Local

Evangélicos que não mantêm vínculo com instituições religiosas, conhecidos como desigrejados, apresentam níveis de conservadorismo e apoio a Jair Bolsonaro inferiores aos de fiéis congregacionais. A informação é fruto de um estudo assinado pelos pesquisadores Victor Araújo, da Universidade de Reading (Reino Unido), e pela italiana Valeria Rainero (Universidade de Frankfurt, Alemanha).

A pesquisa avaliou 1.514 brasileiros com 18 anos ou mais por meio de um questionário on-line. Para identificar o grupo, os pesquisadores incluíram a opção “Evangélico(a), mas NÃO sou membro de nenhuma igreja” no questionário sobre religião.

Como é o perfil dos desigrejados?

Os resultados indicam que os desigrejados representam 18% do total de evangélicos no país e correspondem a 5% da população brasileira em geral. Em relação ao conservadorismo moral, medido em uma escala de 0 a 10, o grupo obteve média de 5,79, enquanto os evangélicos vinculados a igrejas atingiram 7,11. O índice dos desigrejados foi inclusive menor que a média dos católicos (5,85).

O perfil demográfico do grupo aponta que a maioria é composta por mulheres e pessoas com até 35 anos de idade. Segundo o pesquisador Victor Araújo, os desigrejados são, em sua maioria, filhos de pais evangélicos, o que sugere um movimento de transição religiosa no Brasil.

Apesar da falta de vínculo institucional, a religião segue central para o grupo: 93% dos entrevistados afirmaram que a fé é importante em suas vidas. A prática religiosa tende a ocorrer de maneira mais fluida, por meio de células domésticas ou reuniões entre amigos.

Impacto no cenário político

No que diz respeito ao comportamento eleitoral, o estudo observou uma diferença significativa no apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os evangélicos ligados a igrejas, cerca de 58% mantêm o apoio ao ex-presidente; já entre os desigrejados, esse percentual cai para 39%. Para comparação, entre os católicos, o índice de apoio é de 43%.

Victor Araújo aponta que esse perfil oferece uma margem para o crescimento de partidos de esquerda, como o PT, entre os evangélicos. O pesquisador destaca que a predominância de mulheres e jovens no grupo desigrejado é um fator relevante para o cenário eleitoral.

Entre as possíveis causas para o fenômeno do desigrejamento, os pesquisadores citam a resistência de novas gerações a questões doutrinárias, como as relacionadas à homossexualidade, além de possíveis incômodos com a politização dos cultos ou com comportamentos de lideranças religiosas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.