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Política

Governo Lula avalia que negociações com EUA sobre tarifas só avançam após eleição presidencial

Auxiliares do governo acreditam que gestão de Donald Trump não verá vantagem em dialogar antes do pleito que definirá o próximo presidente dos EUA

Por Davy Albuquerque

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que as negociações comerciais com os Estados Unidos, que tratam da taxação de 25% sobre produtos brasileiros, devem ser retomadas somente após as eleições presidenciais norte-americanas. A leitura predominante entre auxiliares do Executivo é de que a gestão de Donald Trump não vê vantagem em retomar o diálogo antes do pleito, já que o Brasil não atendeu às concessões solicitadas pelos americanos.

A orientação do governo é buscar a ampliação da lista de exceções à nova tarifa, que já contempla mais de 2 mil categorias de produtos. No entanto, a percepção interna é de que não há disposição imediata por parte dos Estados Unidos para avançar nas conversas.

O que os Estados Unidos exigem do Brasil?

No início deste ano, durante rodadas de negociação de alto nível, o governo norte-americano solicitou que o Brasil restringisse investimentos estrangeiros de atores de fora do Hemisfério Ocidental no setor de minerais críticos e terras raras. Embora sem menção direta, a solicitação teria como alvo a China.

O Brasil rejeitou a proposta. O presidente Lula defende a universalidade dos investimentos nesse setor e a necessidade de realizar o refino de minerais em território nacional para fortalecer a indústria e a economia brasileira. O país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo.

Além da questão mineral, autoridades norte-americanas solicitaram a abertura total do setor químico, a redução a zero das tarifas sobre bens industriais e maior acesso ao mercado automotivo. O governo brasileiro não aceitou as propostas por identificar potenciais prejuízos a setores nacionais.

Impactos e medidas de reação

A decisão de taxar produtos brasileiros em 25% ocorreu na noite da última quarta-feira (15), após investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A tarifa entra em vigor na próxima quarta-feira (22).

Produtos como etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, papel e açúcar estão entre os taxados. Por outro lado, o documento de isenções inclui itens como café, mel orgânico, açaí, carne bovina, laranja e terras raras.

Para responder à medida, o governo brasileiro pretende utilizar a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, e acionar o mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou declarações recentes do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, como inaceitáveis e ofensivas.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.