Historiadores apontam que Independência do Brasil não foi processo pacífico e envolveu batalhas
Processo de emancipação envolveu confrontos armados em províncias como Bahia e Piauí, segundo especialistas.
Por Redação Diário Local
O processo de Independência do Brasil não foi pacífico, contrariando o imaginário consolidado de uma transição sem violência. A emancipação política envolveu confrontos armados e derramamento de sangue em diversas províncias, como Bahia, Piauí, Pará e Cisplatina, aponta análise de historiadores.
As disputas entre brasileiros que buscavam autonomia e tropas leais a Portugal resultaram em batalhas expressivas com centenas de mortos. Segundo especialistas, a narrativa de uma separação tranquila foi uma construção histórica utilizada pela elite para legitimar a permanência da monarquia e preservar a ordem vigente.
Quais foram as principais batalhas do período?
Na Bahia, o conflito durou um ano e quatro meses. Os confrontos somaram pelo menos 150 mortes, com destaque para a Batalha de Pirajá, ocorrida em 8 de novembro de 1822. O episódio reforça que a emancipação não ocorreu sem violência no território baiano.
Outro momento de grande impacto foi a Batalha do Jenipapo, em 13 de março de 1823, na atual província do Piauí. Na ocasião, moradores locais enfrentaram tropas que defendiam o comando da corte portuguesa. O saldo da batalha foi de cerca de 220 mortos, 60 feridos e 542 homens presos.
O historiador Marcelo Cheche Galves, professor da Universidade Estadual do Maranhão, define o episódio do Piauí como a grande batalha do período de Independência. Já o professor Paulo Henrique Martinez, da Universidade Estadual Paulista, reforça que a violência não foi ocasional, mas parte de um processo militarizado.
Por que a narrativa de paz foi criada?
Para o historiador Paulo Henrique Martinez, a afirmação de um processo pacífico serviu para justificar e sustentar a Casa de Bragança. A ideia era transmitir a mensagem de que a independência havia ocorrido mantendo o controle dos ânimos e a continuidade da vida política e econômica.
A historiadora Cecilia Helena de Salles Oliveira, da Universidade de São Paulo (USP), acrescenta que a interpretação de uma separação pacífica está ligada à visão de que a Independência foi uma continuidade do período colonial, uma ideia organizada pelas gerações de políticos que estruturaram o Império.
Além das guerras formais, a tensão era constante no cotidiano. Em diversas cidades, a rivalidade entre brasileiros e portugueses gerava episódios de violência nas ruas, como espancamentos, prisões e saques a estabelecimentos comerciais.
O cenário de conflito se estendeu por outras regiões, como o Pará, que enfrentou ameaças de represálias, e a província Cisplatina, que acabou rompendo com a unidade do Império brasileiro. No Rio de Janeiro, apesar de as tensões não atingirem a mesma escala, o risco de conflagração era real.
