Juíza que usava enteada no gabinete poderá voltar ao cargo e já enfrenta nova investigação
Magistrada poderá retomar funções no final de outubro, mas Corregedoria apura novas suspeitas de infrações funcionais no TRT-1.
Por Redação Diário Local
A juíza do Trabalho Adriana Maria dos Remédios Branco de Moraes Cardenas Tarazona poderá retomar suas funções no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) no fim de outubro. No entanto, a magistrada já é alvo de uma nova investigação da Corregedoria Nacional de Justiça por suspeitas de irregularidades funcionais.
A previsão é que a pena de disponibilidade da magistrada se encerre em 22 de outubro (quarta-feira). Enquanto aguarda o retorno, a Corregedoria Nacional determinou que o TRT-1 apure novas condutas que teriam ocorrido durante o cumprimento da sanção imposta pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Novas investigações no TRT-1
O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou uma denúncia contra a juíza ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). O caso envolve suspeitas de abuso de autoridade, denunciação caluniosa e vazamento ilegal de informações. De acordo com a investigação, a magistrada teria instaurado inquéritos contra advogados da comarca de Barra Mansa (RJ) sem a apresentação de provas.
Entre as condutas investigadas, consta que um dos profissionais teve dados de Imposto de Renda expostos em um processo de acesso público. Além disso, a Corregedoria Nacional de Justiça determinou a apuração de uma denúncia feita em junho deste ano por um grupo de empresários e advogados, que alegam terem sido alvo de perseguição.
A Corregedoria também analisa uma possível irregularidade relacionada à denúncia contra outros dois advogados. Na época, foi aberto um inquérito policial contra os profissionais que durou quatro anos, mas que foi arquivado em junho deste ano por falta de provas suficientes.
Histórico de punições
A magistrada já havia sido punida anteriormente pelo CNJ por irregularidades que incluíam o uso de sua enteada em seu gabinete, sem vínculo com o Judiciário, para realizar tarefas como a redação de decisões e acesso a documentos restritos. Em 2021, o TRT-1 aplicou a pena de censura por quebra de sigilo fiscal de um advogado.
O Ministério Público do Trabalho tem defendido a aplicação da aposentadoria compulsória, que é a penalidade máxima para magistrados. O órgão argumenta que a gravidade das condutas é incompatível com o exercício da jurisdição e com a dignidade da função.
Defesa da magistrada
Em nota enviada pelo advogado Eraldo Campos Barbosa, a defesa de Adriana Tarazona afirmou que o grupo de empresários envolvido utiliza a imprensa para tentar influenciar o Poder Judiciário sobre questões que devem ser decididas apenas com base nas provas dos autos.
O advogado destacou ainda o que chamou de contradição no comportamento dos interessados, que questionam a atuação da juíza publicamente, mas utilizam decisões proferidas por ela em processos de recuperação judicial quando os resultados lhes são favoráveis.
