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Política

José Sarney afirma que desintegração de partidos enfraquece a democracia no Brasil

Ex-presidente destaca que a falta de disciplina partidária e a personalização das siglas geram desequilíbrio político.

Por Redação Diário Local

O ex-presidente José Sarney afirmou que a democracia brasileira é fragilizada quando os partidos políticos não possuem disciplina e força. Para ele, a atual desintegração das legendas, causada pela personalização das siglas e pelo fracionamento em alas, gera um desequilíbrio que afeta diretamente o funcionamento do Congresso Nacional.

Sarney relacionou a crise política atual à falta de democracia interna nas agremiações, o que impede a construção de consensos necessários para o país. Ele destacou que, enquanto a área econômica conseguiu estabilizar a moeda, o setor político ainda sofre com a fragmentação, o que impacta até o controle do orçamento público.

O ex-presidente ressaltou que o desequilíbrio político afeta a essência da democracia e o manejo de recursos, citando o orçamento como uma fonte de corrupção e desintegração do governo. Ele comparou o cenário brasileiro ao caso da Espanha, mencionando que o país europeu atingiu equilíbrio por meio do Pacto de Moncloa, que consolidou a rotatividade do poder.

A trajetória de disciplina partidária

Ao relembrar sua atuação na União Democrática Nacional (UDN), Sarney descreveu a responsabilidade de ter ocupado os cargos de vice-líder e vice-presidente do partido. Ele relatou que, na época, a função do vice-líder era emitir pareceres para orientar os deputados, servindo como recomendação oficial da legenda para a bancada.

Segundo o relato, a disciplina partidária era rigorosa. Os parlamentares seguiam as orientações oficiais e, caso houvesse divergência por razões de consciência, o voto diferente só era permitido após a análise e autorização da liderança ou conforme o estatuto da agremiação.

O ex-presidente citou exemplos de momentos em que votou de forma contrária à orientação da liderança, mas sempre com a devida autorização estatutária. Ele mencionou o caso da indicação de Santiago Dantas para Primeiro-Ministro, durante o regime parlamentarista, como um exemplo de divergência autorizada.

O histórico dos partidos no Brasil

Sarney traçou um histórico sobre a evolução das legendas no país, partindo do modelo de partidos regionais da Primeira República. Naquele período, a política era dominada por oligarquias estaduais e práticas como o voto de cabresto e o mapismo, que burlavam a vontade popular.

A transição para partidos de âmbito nacional foi impulsionada pela Revolução de 1930 e consolidada pela Lei Agamenon Magalhães, em 1945. No entanto, o ex-presidente observou que a resistência das elites estaduais retardou o cumprimento desse objetivo por 15 anos.

Para o ex-presidente, a desintegração atual dos partidos é fruto da personalização das siglas. Ele defende que a recuperação do equilíbrio político é urgente e tem como consequência direta a busca pelo equilíbrio orçamentário nas instituições brasileiras.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.