Mulheres são maioria no eleitorado, mas ocupam menos de 20% das cadeiras no Congresso
Dados do TSE mostram que, apesar de comporem 52,83% do eleitorado, mulheres ocupam menos de 20% das cadeiras na Câmara e no Senado.
Por Redação Diário Local
As mulheres representam 52,83% do eleitorado brasileiro em 2026, mas ocupam menos de 20% das cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a participação feminina nos dois órgãos do Congresso Nacional permanece proporcionalmente muito inferior ao volume de eleitoras no país.
Na Câmara dos Deputados, a presença feminina é de apenas 18,1% do total de parlamentares. No Senado, o cenário é semelhante, com as mulheres ocupando menos de 20% das cadeiras, o que reflete um descompasso entre a base eleitoral e a representação legislativa.
A disparidade posiciona o Brasil em um lugar crítico nos índices globais de representação. De acordo com a ONU Mulheres, o país ocupa a 133ª posição no ranking de participação feminina. Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) indicam que, embora haja um crescimento gradual, a equiparação de cadeiras ainda é uma meta distante para os próximos anos.
A lentidão nesse processo é reforçada por um estudo da Oxfam Brasil. O cálculo aponta que, se o ritmo atual de equilíbrio entre candidaturas masculinas e femininas for mantido, serão necessários 144 anos para que a igualdade seja alcançada no legislativo.
Fatores que influenciam a desigualdade
A violência política de gênero é apontada como um dos componentes que dificultam a ascensão de mulheres à política. No Congresso brasileiro, 81% das parlamentares relataram ter sofrido algum tipo de violência de gênero durante a atuação legislativa.
O modelo de financiamento de campanha também impacta a competitividade das candidatas. Embora exista uma cota de recursos, o TSE definiu que gastos com segurança pessoal — hoje custeados pelo fundo eleitoral devido aos riscos da atividade — não podem ser contados dentro da cota mínima de 30% destinada às mulheres.
A decisão do tribunal visa evitar que os partidos cumpram a lei apenas de forma burocrática, sem investir efetivamente nas campanhas femininas. A regulação busca garantir que o recurso seja aplicado diretamente na disputa eleitoral, combatendo o uso de verbas para fins que não fortaleçam a candidatura.
Cenário em Juiz de Fora
O fenômeno também é observado no nível municipal. Em Juiz de Fora (MG), as mulheres são maioria na população e entre as eleitoras, mas a representação na Câmara Municipal segue lenta. Na última eleição, realizada em 2024, foram eleitas 5 vereadoras entre os 23 parlamentares da cidade.
O crescimento das candidaturas femininas no município é gradual desde a primeira eleição de uma vereadora na cidade, Vera Faria, em 1966 (naquela época, durante os mandatos de 1967-1970 e 1973-1976). Apesar do aumento progressivo, o legislativo local ainda não teve uma mulher na presidência da Casa.
