Vídeo sobre corte de R$ 6 bilhões na Saúde e Educação após eleição de 2026 é falso
Publicações alegam que Lula anunciou cortes em pastas essenciais após o segundo turno, mas material é antigo e trata de 2024
Por Redação Diário Local
Publicações que circulam nas redes sociais afirmando que o governo Lula anunciou um corte de quase R$ 6 bilhões nas áreas de Saúde e Educação após o segundo turno das eleições de 2026 são falsas. Não houve qualquer anúncio de contingenciamento ou redução de gastos nessas pastas após a vitória no pleito realizado neste domingo (25).
As mensagens começaram a ser compartilhadas desde segunda-feira (26) em plataformas como o X e o Instagram. As publicações utilizam vídeos com legendas que alegam que o corte teria ocorrido imediatamente após o resultado das eleições presidenciais.
Embora o vídeo utilizado nas postagens não tenha sido fabricado por inteligência artificial, ele é um conteúdo antigo. Trata-se de uma reportagem jornalística publicada em 31 de julho de 2024, que tratava de um cenário orçamentário totalmente diferente do atual.
O Ministério do Planejamento e Orçamento desmentiu as alegações e afirmou que as informações sobre um eventual corte após a reeleição não procedem. O órgão reforçou que não houve anúncio de redução de gastos nessas áreas específicas após o pleito.
O contexto do vídeo antigo
O material que circula de forma enganosa mostrava, na verdade, ajustes feitos no orçamento de 2024 para o cumprimento de metas fiscais daquele ano. Na ocasião, o Ministério da Saúde sofreu um impacto de R$ 4,4 bilhões e o Ministério da Educação teve redução de R$ 1,2 bilhão.
Além dessas pastas, o vídeo de 2024 também detalhava impactos no Ministério das Cidades, com perda de R$ 2,1 bilhões, e no Ministério dos Transportes, com redução de R$ 1,5 bilhão. Esses dados, contudo, não possuem relação com o momento político de 2026.
A desinformação ganha tração em um período de atenção sobre as contas públicas. Nesta quinta-feira (29), o Banco Central informou que as contas do setor público consolidado apresentaram um déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro.
De acordo com o Banco Central, a dívida pública manteve o patamar de 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, o mesmo índice registrado em agosto. Esse é o maior índice observado desde março de 2021.
