Pesquisa da USP revela que 60% dos brasileiros com insônia usam remédios para dormir
Levantamento da USP mostra que 40% das pessoas entrevistadas utilizam medicações sem prescrição médica para combater a falta de sono.
Por Redação Diário Local
O uso de medicamentos tornou-se a principal estratégia de brasileiros que lutam contra a insônia, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP). O levantamento revelou que 60% dos participantes entrevistados fazem uso de algum remédio para dormir.
O estudo ouviu 1.158 adultos com sintomas de privação de sono e indicou que cerca de 38% das pessoas afirmaram tomar essas medicações de cinco a sete noites por semana. Outro dado relevante é que 40% dos participantes relataram utilizar os remédios sem prescrição médica.
Classes de medicamentos utilizadas
A pesquisa detalhou as classes de substâncias mais consumidas pelo grupo. O uso de hipnóticos, como o Zolpidem, foi relatado por 44% dos entrevistados, enquanto os benzodiazepínicos, classe que inclui o Clonazepam, foram utilizados por 37,9% dos participantes.
Além disso, 39% informaram utilizar drogas de venda livre, como relaxantes musculares e antialérgicos, para tentar induzir o sono. O estudo também observou uma diferença de perfil étnico: 74% das pessoas brancas faziam uso de medicações, contra 26% de pessoas pretas e pardas.
A psiquiatra e autora do estudo, Ana Flávia Bonini, aponta que fatores como estresse, rotina exigente, pouco descanso, sedentarismo, consumo de álcool e cafeína, além do uso de telas, são causas principais para o desenvolvimento de problemas de sono. Para a especialista, a população submetida a esses fatores tende a desenvolver privação de sono.
Riscos da automedicação
A neurologista Raquel Aquino alerta que o uso de medicamentos sem orientação médica pode prejudicar a atenção, a memória, o humor e a capacidade de reação no curto prazo. O psiquiatra Valber Dias ressalta que, embora o remédio seja uma ferramenta que pode ser usada com precisão e eficácia, ele também pode ser utilizado de forma incorreta.
A psicóloga Sátina Pimenta complementa que a insônia, muitas vezes, está ligada a fatores psicológicos e à dificuldade da sociedade moderna em lidar com o sofrimento. Segundo ela, o cérebro em estado de atividade constante interfere diretamente na qualidade do descanso.
Tipos de insônia e tratamento
A insônia pode ser classificada como inicial, quando a pessoa tem dificuldade para adormecer; intermediária, quando há interrupções ao longo da noite; ou terminal, quando o indivíduo desperta precocemente e não consegue retornar ao sono. O quadro pode gerar fadiga, cansaço e dificuldade de concentração.
O diagnóstico pode ser feito por queixas do paciente ou por meio da polissonografia, o exame do sono. O tratamento deve ser avaliado por médicos especialistas e pode incluir a chamada "higiene do sono", que consiste em adotar hábitos como evitar o uso de telas e a ingestão de bebidas estimulantes durante a noite.
