Empresas adotam testes rigorosos para combater uso de IA em entrevistas de emprego
Gestores utilizam câmeras, verificação de endereço IP e monitoramento de tela para evitar fraudes e respostas automáticas.
Por Redação Diário Local
Empresas estão reforçando os métodos de seleção para garantir que candidatos em processos de contratação remota sejam quem dizem ser e possuam o conhecimento técnico alegado. A popularização de respostas auxiliadas por inteligência artificial (IA) e o risco de fraudes de identidade levaram organizações a adotar testes que vão desde o monitoramento de movimentos físicos até a verificação de endereços de IP.
A necessidade de novos controles surge porque currículos e respostas têm se tornado excessivamente padronizados. De acordo com uma pesquisa realizada pela plataforma de verificação Checkr com 3 mil gestores, em setembro, 59% dos líderes suspeitam que candidatos utilizem ferramentas de IA para se apresentar de forma enganosa durante as etapas de contratação.
Como as empresas combatem a fraude por IA?
Para evitar o uso de roteiros gerados por algoritmos, algumas empresas utilizam softwares que monitoram para onde os olhos do candidato estão direcionados durante a chamada de vídeo. Além disso, o uso de fundos virtuais tem sido proibido por recrutadores para garantir que o ambiente do candidato seja autêntico.
A empresa de telecomunicações e segurança Somos adota medidas como a exigência de que o candidato movimente a câmera para mostrar o local onde se encontra. A companhia também verifica os endereços de IP para evitar casos de pessoas que afirmam residir em uma localidade, como a Flórida, mas que na verdade trabalham de outros países, como o Brasil.
Outro teste aplicado envolve o desafio de passar a mão na frente do rosto durante a entrevista. A medida busca identificar o uso de tecnologias que geram rostos artificiais, que muitas vezes apresentam falhas ao processar movimentos físicos bruscos ou de sobreposição de imagem.
Testes práticos e monitoramento em tempo real
Para contornar o problema de conteúdos prontos, muitas organizações estão substituindo tarefas de casa por exercícios realizados ao vivo. A startup Passion.io, por exemplo, solicita que os candidatos compartilhem a tela e respondam a perguntas escritas em documentos compartilhados, permitindo observar se o profissional está redigindo o texto ou apenas colando respostas de assistentes virtuais.
Em casos de contratações para engenharia, como ocorre na empresa Nominal, a solução tem sido o retorno ao modelo presencial. A companhia exige que os testes de programação e as entrevistas sejam realizados no local, utilizando equipamentos fornecidos pela própria organização para controlar totalmente o processo de avaliação.
Especialistas do setor apontam que o uso excessivo de IA pode tornar as respostas mecânicas e retirar a capacidade de raciocínio próprio dos candidatos. Para os recrutadores, o diferencial em um mercado saturado por respostas automatizadas passa a ser a capacidade de demonstração de um raciocínio humano e fluido.
