Sistema brasileiro une látex e luz de LED para acelerar cicatrização de pés diabéticos
Sistema Rapha, desenvolvido pela UnB, combina biomembrana de látex e fototerapia para estimular a regeneração de tecidos e evitar complicações.
Por Redação Diário Local
Pesquisadores brasileiros desenvolveram o sistema Rapha, uma tecnologia que utiliza uma biomembrana de látex natural e fototerapia por luz de LED para estimular a regeneração de tecidos. O objetivo é enfrentar as feridas causadas pelo diabetes nos pés, que podem evoluir para infecções e amputações.
O dispositivo foi desenvolvido na Universidade de Brasília (UnB) e busca oferecer uma alternativa de baixo custo para o tratamento de úlceras do pé diabético. O sistema combina a aplicação da membrana de látex sobre a ferida com a emissão de luz de LED na região para acelerar a recuperação.
A pesquisa sobre o Rapha teve início há mais de 10 anos, com estudos acadêmicos investigando a associação entre o látex e o circuito de luz já em 2013. Atualmente, a tecnologia passa por processos de regularização sanitária e de translação para a indústria.
O que se sabe sobre a eficácia do sistema?
Apesar do avanço, médicos ressaltam que a tecnologia ainda precisa de comprovação em larga escala. O endocrinologista Alberto Gomes, do Hospital Santa Rita, pontua que os estudos publicados até o momento são pequenos, com grupos de apenas 13 a 15 pacientes.
Segundo o médico, embora haja melhora na cicatrização de úlceras, os resultados atuais não comprovam que o dispositivo reduza as taxas de amputação. Ele destaca que o sistema deve ser visto como parte de uma estratégia de cuidado, e não como substituto de protocolos já estabelecidos.
Para Gomes, o diagnóstico precoce, o controle metabólico, a avaliação vascular e o acompanhamento multidisciplinar continuam sendo os pilares fundamentais para evitar a perda de membros.
Quais são as formas de prevenção?
A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda a vigilância regular dos pés e o controle glicêmico e metabólico. No caso de pacientes com diabetes tipo 2, a avaliação para neuropatia periférica (perda de sensibilidade) deve ocorrer no momento do diagnóstico; para o tipo 1, cinco anos após a descoberta da doença.
A perda de sensibilidade pode fazer com que pequenos traumas nos pés passem despercebidos, evoluindo para feridas graves devido a alterações vasculares e nervosas.
Outras abordagens para feridas complexas
Além de novas tecnologias, existem métodos cirúrgicos consolidados, como a Técnica de Figueiredo. Desenvolvida em 2008 pelo cirurgião Leandro Figueiredo, do Vitória Apart Hospital, a técnica utiliza uma lâmina de polipropileno para cobrir a ferida após o desbridamento (limpeza de tecidos mortos).
O objetivo é proteger o leito da lesão e manter o exsudato — líquido produzido pelo organismo durante a inflamação — em contato com a ferida para favorecer a regeneração. Segundo o cirurgião, a abordagem pode ser aplicada em feridas profundas e infectadas, visando interromper a evolução de lesões mesmo em casos avançados.
