Cultivo de abacaxi em Porto Grande dobra o preço da fruta e ganha indicação geográfica no Amapá
Com selo de Indicação de Procedência, município amapaense vê valor de venda da fruta passar de R$ 2,50 para R$ 5,00 por unidade.
Por Redação Diário Local
O cultivo de abacaxi em Porto Grande, no Amapá, tem gerado impactos diretos na renda dos agricultores locais. Após a obtenção do registro de Indicação de Procedência, o preço de venda de cada unidade da fruta dobrou, saltando de R$ 2,50 para R$ 5,00.
O reconhecimento foi concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2024. A Indicação Geográfica (IG) associa o produto a uma origem específica, garantindo que o abacaxi de Porto Grande possua características únicas devido ao clima e localização da região.
Além do selo de procedência, o governo do Amapá declarou o cultivo da fruta como patrimônio cultural de natureza imaterial do estado em 2024. O processo de estruturação e a gestão do registro contaram com o apoio do Sebrae, parceiro dos produtores na capacitação e organização do setor.
Como funciona a produção local?
A variedade predominante na região é o abacaxi do tipo Pérola. Segundo produtores locais, o sabor adocicado e o aroma marcante são influenciados pela alta exposição solar característica do Amapá, o que interfere diretamente na qualidade do alimento.
Atualmente, o município de Porto Grande possui 32 produtores de abacaxi. Um levantamento realizado pela Associação de Produtores de Abacaxi de Porto Grande, em 2025, estimou que a produção do município possa atingir 5 milhões de unidades ao longo de 2026.
A produção entre os agricultores é heterogênea. Enquanto alguns produtores chegam a colher até 600 mil frutas, outros registram safras menores, na casa de 4 mil unidades. A associação busca agora expandir o uso da fruta para evitar perdas.
Estratégias para evitar desperdício
Para lidar com o volume de produção e evitar o descarte, a associação de produtores tem focado no beneficiamento da fruta. São fabricados produtos derivados, como geleias de abacaxi, melaço feito da casca e opções de abacaxi desidratado.
A possibilidade de exportação do fruto fresco ainda passa por estudos. No entanto, a logística é apontada como um obstáculo, já que o abacaxi de Porto Grande tem durabilidade máxima de 25 dias, o que limita o transporte para mercados muito distantes sem perda de qualidade.
