Operação contra alvo dos EUA prende João Gilberto Codognotto, apontado como operador financeiro
Investigação da Polícia Federal indica que Codognotto atuava na movimentação de recursos para empresário sancionado pelo governo americano
Por Diário Local
A Polícia Federal identificou João Gilberto Codognotto como um dos operadores financeiros de Victor Shimada durante a Operação Exchange. Codognotto, conhecido como "Barão do Café", foi preso na sexta-feira (3/7) e liberado na terça-feira (7/7), após passar quatro noites detido na Superintendência da PF, em São Paulo.
O principal alvo das investigações, o empresário Victor Shimada, permanece foragido. Shimada e outras pessoas e empresas foram sancionados pelo Departamento de Tesouro dos Estados Unidos no dia 1º de julho, por suposto envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações apontam que a empresa de Codognotto, a JGC Intermediação de Negócios Eireli, recebeu recursos de Shimada por meio de transferências via Pix. A Polícia Federal também interceptou mensagens entre os dois sobre operações financeiras no Brasil e no exterior.
Em diálogos analisados pelos agentes, Codognotto questionou a possibilidade de receber valores em Assunção, capital do Paraguai, e mencionou o depósito de 50 mil dólares na moeda local, o guarani. Em outro trecho, ele solicitou uma transferência para os Estados Unidos.
A Polícia Federal investiga ainda uma movimentação de R$ 120 mil que utilizou dados de uma conta da empresa de energia Raízen. Os investigadores suspeitam que a conta tenha sido usada para a triangulação de valores, com o objetivo de esconder a origem e o destino do dinheiro.
Questionada sobre o caso, a Raízen afirmou, em nota, que não possui qualquer relação com os fatos apurados na Operação Exchange. A empresa declarou que a citação é indevida e que já adotou as medidas judiciais cabíveis para o esclarecimento dos fatos.
Segundo a Polícia Federal, Codognotto também teria apresentado a Shimada um potencial cliente que atuaria como doleiro para um terceiro. O objetivo seria receber 1 bilhão de pesos argentinos no Brasil, convertidos para reais.
Histórico de prisões e investigações
Esta não é a primeira vez que Codognotto é detido pelas autoridades. No segundo semestre de 2024, ele foi preso por lavagem de dinheiro em uma operação que investigava o sistema criminoso liderado por Roland Ronald, apontado como elo entre facções brasileiras e organizações internacionais.
Naquela ocasião, as investigações apontavam que o grupo buscava transportar cocaína para cartéis mexicanos, utilizando a logística de organizações como as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc).
Codognotto, que construiu fortuna no ramo do café, também possui histórico de convivência no sistema prisional. Há dois anos, ele esteve detido em Tremembé, onde estabeleceu uma relação de amizade com o ex-jogador de futebol Robinho.
A ligação entre os dois, ocorrida enquanto Robinho estava preso, foi relatada em registros sobre o cotidiano do presídio. Codognotto era conhecido no setor cafeicultor e recebia o apelido de "Barão do Café".
Situação jurídica atual
Enquanto Shimada segue foragido, outros alvos da operação, como Stella Stefanie de Oliveira, foram soltos nesta semana. Os mandados de busca e apreensão da Operação Exchange foram cumpridos após sanções aplicadas pelo governo dos Estados Unidos.
A defesa do empresário Victor Shimada deve apresentar um habeas corpus ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) na próxima semana. O objetivo é tentar reverter a prisão preventiva aplicada ao empresário.
A Polícia Federal continua as diligências para localizar o alvo principal e detalhar o fluxo financeiro entre os investigados e as organizações criminosas mencionadas no processo.
