Caixa projeta originação de R$ 260 bilhões em crédito imobiliário para 2026
Instituição pretende expandir financiamentos habitacionais ao longo do ano, com foco no programa Minha Casa, Minha Vida, segundo relatório.
Por Redação Diário Local
A Caixa Econômica Federal projeta uma originação de R$ 260 bilhões para o crédito imobiliário em 2026. O valor supera os R$ 246 bilhões concedidos pela instituição no ano anterior, segundo informações da diretoria do banco estatal compartilhadas em relatório do Itaú BBA nesta segunda-feira (27).
O crescimento deve ser impulsionado pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), incluindo a expansão da Faixa 4 financiada pelo Fundo Social. Atualmente, a carteira de empréstimos habitacionais da Caixa é composta por 60% de hipotecas vinculadas ao MCMV e 40% pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
A perspectiva positiva surge após uma reunião entre executivos da Caixa Econômica Federal (CEF) e da Caixa Seguridade (CXSE3). O encontro reforçou a visão de que a instituição não pretende restringir a disponibilidade de crédito, mantendo o foco em empresas de alta eficiência.
O relatório do Itaú BBA avalia que a queda de 15% nas ações de construtoras com foco em baixa renda, ocorrida após os dados do segundo trimestre de 2026, reflete um receio exagerado do mercado sobre a sustentabilidade das vendas. Analistas destacam oportunidades em empresas como Tenda (TEND3), Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3).
Quais os desafios para o setor imobiliário?
O cenário para os segmentos de média e alta renda apresenta desafios maiores devido aos juros elevados. Esse fator impacta diretamente a capacidade de pagamento das famílias que utilizam o SBPE. Por outro lado, a sustentabilidade financeira do programa social deve seguir preservada.
Apesar de uma desaceleração observada no mês de junho, a continuidade do programa deve ocorrer sem a necessidade de novos aportes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A diretoria sinalizou que a demanda por moradia segue como prioridade para a expansão da carteira no próximo ano.
Como está a inadimplência na Caixa?
A diretoria da Caixa informou que a inadimplência na carteira habitacional manteve-se estável no primeiro semestre de 2026, em níveis equivalentes aos de 2025. Eventuais variações nos indicadores estatísticos decorrem da implementação da Resolução 4966 do Conselho Monetário Nacional (CMN).
A nova normativa adotou critérios mais conservadores para o cálculo das provisões para devedores. Agora, os tomadores precisam cumprir metas de regularização mais rígidas para que os empréstimos voltem ao status de adimplentes. A área de risco do banco tem aprimorado as análises para focar na capacidade total de pagamento, e não apenas na renda formal.
O documento aponta pontos de atenção na carteira, como os mutuários de menor renda do MCMV e a inadimplência de pequenas e médias incorporadoras. Outro fator observado é o nível de parcelamento direto com as construtoras, onde o comprometimento da renda das famílias tem atingido entre 40% e 50%.
