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Comércio Exterior

Rubio critica Lula e reforça caráter político de novas tarifas dos EUA contra o Brasil

Secretário de Estado dos EUA diverge de órgão técnico ao responsabilizar presidente Lula por novas sobretaxas a produtos brasileiros.

Por Davy Albuquerque

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atribuiu um caráter político às novas tarifas aplicadas a produtos brasileiros e responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelas medidas. Em declaração nas redes sociais, Rubio criticou o governo brasileiro e divergiu do discurso técnico adotado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ao anunciar as sobretaxas.

Segundo Rubio, o presidente brasileiro não negociou de boa fé com os Estados Unidos. O secretário afirmou que Lula teria colocado o próprio ego à frente de um acordo que beneficiasse o povo brasileiro, justificando que as tarifas seriam o preço por essa postura.

A manifestação de Rubio endossa a percepção do Palácio do Planalto de que as medidas possuem motivação política, possivelmente para pressionar o cenário eleitoral brasileiro em outubro. Embora o USTR fundamente as novas alíquotas em critérios técnicos da Seção 301 da Lei de Comércio, alegando práticas desleais do Brasil, o governo brasileiro afirma que suas explicações não foram consideradas durante o período de negociação.

O que diz o governo brasileiro?

O chanceler Mauro Vieira declarou que identifica uma expressa motivação política nas decisões dos Estados Unidos contra o Brasil. Vieira mencionou que, em ocasiões anteriores, as tarifas foram utilizadas como tentativa de interferência no Judiciário brasileiro.

O Executivo brasileiro argumenta que as medidas representam uma tentativa de ingerência no cenário interno do país. Para o governo, a condução da política externa norte-americana tem demonstrado interesses de natureza ideológica.

O governo federal também rebateu as críticas de Rubio ao destacar que, no último ano, foram realizadas mais de 30 reuniões com autoridades americanas em níveis técnicos e ministeriais para tratar do tema. Entre os encontros, foram contabilizadas 11 reuniões com o próprio Rubio e com o diretor do USTR, Jamieson Greer.

Histórico das tarifas

As novas alíquotas, sugeridas após investigação do USTR, devem entrar em vigor no dia 22 de julho. O histórico de tensões comerciais inclui taxas de 50% aplicadas anteriormente e a atual alíquota global de 10% que vigora para diversos países.

O Brasil ainda aguarda a conclusão de uma nova investigação relacionada a questões de trabalho forçado, que pode resultar em uma taxa adicional de 12,5% sobre as exportações brasileiras.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.