Governo de São Paulo suspende autorização para o Banco Digimais oferecer crédito consignado a servidores
Decisão ocorre após operação da Polícia Federal contra o banco; instituição de Edir Macedo foi impedida de novos créditos.
Por Davy Albuquerque
O governo de São Paulo suspendeu a autorização para o Banco Digimais oferecer crédito consignado aos servidores estaduais. A medida, publicada no Diário Oficial, ocorre após uma operação da Polícia Federal (PF) ter atingido a instituição bancária.
A suspensão cautelar de novos créditos foi determinada pelo secretário de Gestão e Governo Digital, Caio Maio Paes de Andrade. A decisão foi fundamentada em legislação que prevê sanções administrativas pelo governo em situações de extrema urgência.
A medida sucede a Operação Miragem, deflagrada em 23 de junho, que determinou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de investigados ligados à instituição.
O histórico de credenciamento
O Banco Digimais, de propriedade de Edir Macedo, havia sido autorizado a operar empréstimos consignados em setembro de 2025. Na ocasião, o credenciamento contemplou modalidades como empréstimo bancário, cartão de benefício e cartão de crédito.
O acordo permitiu que o banco operasse junto à Polícia Militar de São Paulo, categoria que conta com mais de 80 mil agentes ativos. O contrato de empréstimos consignados para os policiais militares tinha validade prevista até 2030.
Anteriormente, a Secretaria da Fazenda havia indeferido um pedido do banco para fornecer o serviço de crédito consignado, mas o credenciamento foi autorizado posteriormente quando o processo migrou para a atual pasta de Gestão e Governo Digital.
Situação financeira da instituição
O Digimais tem enfrentado desafios financeiros nos últimos anos. Relatórios de 2024 e 2025 indicaram alta nos índices de inadimplência, o que afetou o patrimônio da instituição e exigiu aportes recorrentes para evitar a quebra técnica.
Em setembro de 2025, a instituição registrava um prejuízo de R$ 250 milhões. Já em fevereiro deste ano, o rombo acumulado chegou a quase R$ 500 milhões.
Posicionamento do governo
Em nota, o governo de São Paulo afirmou que a atuação de instituições financeiras ocorre por meio de credenciamento público, seguindo requisitos de habilitação jurídica, regularidade fiscal e conformidade regulatória.
Segundo o governo, o Digimais atendeu aos requisitos exigidos no momento da solicitação, inclusive perante o Banco Central. A instituição responde por 1,57% do total de operações realizadas mensalmente no estado, conforme dados de maio de 2026.
