Hapvida registra queda de 96% no lucro líquido ajustado no segundo trimestre de 2026
Com aumento da sinistralidade e despesas judiciais, lucro ajustado da operadora de saúde recua para R$ 12,5 milhões.
Por Redação Diário Local
A Hapvida registrou lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões no segundo trimestre de 2026, o que representa uma queda de 95,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando o valor foi de R$ 299,5 milhões. No comparativo com o primeiro trimestre de 2026, o indicador recuou 94,9%.
A empresa informou que o lucro líquido contábil apresentou prejuízo de R$ 217,1 milhões no trimestre, contra um prejuízo de R$ 205,8 milhões registrado no segundo trimestre de 2025. O lucro ajustado divulgado pela companhia exclui efeitos como programas de incentivo de longo prazo e amortização de intangíveis.
Por que o lucro caiu?
A administração da companhia atribuiu o resultado ao aumento na utilização de serviços médicos e ao maior volume de despesas judiciais. Outro fator mencionado foi a sazonalidade desfavorável do período e o impacto do processo de reestruturação operacional iniciado no começo do ano.
A sinistralidade (relação entre custos de saúde e receita) atingiu 75,2%, uma alta de 1,3 ponto percentual em relação ao segundo trimestre de 2025. A empresa explicou que a piora ocorreu pela maior utilização de serviços e pelo aumento das contas médicas processadas, além de gastos com depósitos judiciais.
Receita e base de clientes
Apesar da queda no lucro, a receita líquida somou R$ 7,97 bilhões entre abril e junho, um crescimento de 3,9% na comparação anual. O avanço foi impulsionado principalmente pelo reajuste de preços nos contratos de saúde. O ticket médio dos planos atingiu R$ 305,9 por mês, alta de 5,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A base de beneficiários de saúde encerrou junho com 8,67 milhões de vidas, uma redução de 16 mil usuários no trimestre. A companhia relatou que o recuo deve-se à revisão de contratos menos rentáveis e à inadimplência. Em contrapartida, a base de planos odontológicos cresceu para 7,29 milhões de beneficiários, com adição de 103 mil vidas no período.
Endividamento e caixa
A dívida líquida da companhia alcançou R$ 5,4 bilhões, um aumento de 34,4% em relação ao ano passado. Segundo a operadora, a alta decorreu do pagamento de juros, do consumo de caixa e da redução do EBITDA acumulado nos últimos 12 meses. A alavancagem subiu para 1,61 vez, contra 0,95 vez no segundo trimestre de 2025.
A posição de caixa e aplicações financeiras somava R$ 8,05 bilhões ao final de junho, queda de 18,2% comparada ao trimestre anterior de 2025. A empresa afirmou que as medidas de reestruturação visam melhorar a rentabilidade e a geração de caixa nos próximos trimestres.
