Ibovespa sobe 1% com inflação de julho abaixo do esperado e traz alívio ao mercado
Divulgação de prévia da inflação mais fraca que o previsto sustenta apetite por risco na Bolsa e reduz pressão sobre juros.
Por Redação Diário Local
O Ibovespa registrou alta nesta segunda-feira (27), impulsionado pela divulgação de uma prévia do IPCA-15 de julho significativamente abaixo das expectativas do mercado. Às 11h20 (horário de Brasília), o índice subia 1,08%, cotado a 177.205 pontos.
A leitura da inflação oficial apresentou um avanço de apenas 0,06% no mês, o que reforçou a percepção de desaceleração dos preços no Brasil. O movimento ocorreu às vésperas da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para a semana que vem.
A desaceleração dos preços ajudou a sustentar o apetite por risco no mercado local, contrastando com o ambiente de cautela no exterior. Além da valorização da Bolsa, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) apresentaram queda, refletindo a expectativa de menor pressão sobre o Banco Central para manter uma política monetária restritiva.
O que muda com o dado da inflação?
O resultado abaixo das estimativas trouxe alívio para os investidores e favoreceu os ativos domésticos. Segundo a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, o dado reforçou a percepção de uma inflação mais controlada.
O movimento de alta no mercado brasileiro também foi influenciado pela queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e pelo recuo no preço do petróleo, após avanços diplomáticos entre os Estados Unidos e o Irã.
Riscos no radar do mercado
Apesar do otimismo imediato, especialistas avaliam que o dado não é suficiente para eliminar riscos, especialmente os relacionados às novas tarifas comerciais dos Estados Unidos. Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, afirma que o resultado ajuda o cenário de curto prazo, mas que setores como serviços e preços administrados continuam pressionados.
Na visão de Valdir Piran Jr., CEO da Intra Asset, o IPCA-15 moderado reduz a pressão sobre a política monetária, mas não anula os riscos de choques externos. Ele destaca que uma eventual desvalorização do real pode elevar custos de produtos importados, pressionando a inflação, embora o redirecionamento de produtos que deixariam de ir para os EUA possa aumentar a oferta interna.
André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, observa que a queda da inflação acumulada em 12 meses para 4,52% mostra que a política monetária restritiva está produzindo resultados, mas alerta que choques de câmbio ou commodities podem alterar o quadro rapidamente.
Para André Matos, CEO da MA7 Capital, o principal risco das tarifas americanas seria a via cambial, mas como parte das exportações brasileiras foi poupada das taxas, o dólar reagiu de forma contida. Já Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, aponta que o resultado ajuda a reduzir projeções para 2026, mas a resiliência da inflação de serviços ainda exige atenção do Banco Central.
