Receita e MPF investigam empresa ligada à Betnacional por movimentar R$ 4 bilhões
LCT Pagamentos é investigada pelo MPF e Receita por suspeita de evasão de divisas e lavagem de dinheiro através de operações de câmbio.
Por Redação Diário Local
O Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal investigam a LCT Pagamentos e Serviços por suspeitas de evasão de divisas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A empresa é apontada como parte central de uma estrutura financeira do Grupo NSX, controlador de plataformas de apostas como Betnacional, Mr. JackBet e PagBet.
De acordo com as investigações, a LCT movimentou € 682,7 milhões em contratos de câmbio entre dezembro de 2022 e janeiro de 2025. O montante, convertido pela cotação recente, ultrapassa R$ 4 bilhões. Os dados foram obtidos após a quebra de sigilo fiscal e bancário dos envolvidos.
Os órgãos apontam que a empresa recebia recursos de apostadores brasileiros e realizava operações de câmbio eletrônico para enviar os valores a empresas do próprio conglomerado no exterior, como a NSX Enterprise N.V., com sede em Curaçao. Cerca de 88,04% da atividade cambial da LCT no período ocorreu por meio de 28 operações de câmbio simultâneo.
Como funcionavam as operações de câmbio?
Nas operações de câmbio simultâneo, foram fechados dois contratos vinculados — um de compra e outro de venda de moeda estrangeira — na mesma data e pelo mesmo valor. Embora a modalidade seja permitida, a Receita Federal afirma não ter identificado documentos ou justificativa econômica que explicassem as movimentações da LCT.
Para os investigadores, a ausência de contrapartida comercial e o vínculo entre remetente e destinatárias sugerem que o mecanismo pode ter sido usado para transferir o dinheiro arrecadado com apostas no Brasil para o exterior sob aparência de regularidade. A suspeita é que os recursos retornassem ao país como supostos pagamentos por serviços.
Além disso, a Receita sustenta que a LCT atuava como instituição de pagamento sem possuir a autorização necessária do Banco Central, apesar de declarar formalmente exercer atividades de intermediação de negócios e serviços.
Estrutura sem funcionários e sede virtual
A investigação revelou que a LCT não possuía um único funcionário registrado, mesmo com a movimentação bilionária identificada. O endereço registrado pela empresa ficava na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, mas, ao realizarem diligências no local, integrantes do MPF constataram que o espaço era um coworking.
A relação da empresa com o endereço era limitada a uma caixa postal e uma pasta de correspondências. Segundo o relatório, a LCT não mantinha escritório, computadores ou qualquer atividade operacional no local.
Os documentos do caso estão sendo analisados pelo MPF em Pernambuco, com suporte técnico da Receita Federal. A NSX Brasil não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria.
