Ações do IRB sobem 5% após lucro de R$ 158 milhões superar expectativas do mercado
Lucro do segundo trimestre de 2026 superou projeções; mercado monitora projeto de lei que pode reduzir impostos para resseguradoras
Por Redação Diário Local
As ações do IRB Re (IRBR3) registraram alta de 5,32% nesta sexta-feira (14), operando a R$ 52,10, após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. O desempenho reflete números superiores às expectativas de mercado, impulsionados por melhora operacional e resultados financeiros.
A companhia reportou lucro líquido de R$ 158 milhões no período, marca 55% superior à do trimestre anterior e cerca de 10% acima do mesmo período de 2025. O resultado superou as projeções do Goldman Sachs e as estimativas de consenso do mercado.
Segundo o Goldman Sachs, o lucro ficou 13% acima das estimativas da instituição, beneficiado por receitas financeiras mais fortes e desempenho operacional. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) atingiu 12,5%, superando os 8,2% registrados no primeiro trimestre do ano.
Como foi o índice de sinistralidade?
O índice de sinistralidade recuou para 41,8%, contra 58% no primeiro trimestre e 51,9% no mesmo período do ano anterior. A queda foi impulsionada por uma reversão de aproximadamente R$ 139 milhões em reservas IBNR no Brasil, concentrada no segmento patrimonial.
Essa reversão impactou as despesas com sinistros e elevou o resultado de subscrição. O lucro de underwriting (subscrição) alcançou R$ 250 milhões, um crescimento de 39% na comparação trimestral.
Por outro lado, o JPMorgan alertou que parte da surpresa positiva decorre desse efeito não recorrente sobre reservas, o que pode dificultar a repetição do benefício nos próximos trimestres. O banco pontuou que a baixa sinistralidade não indica, necessariamente, um novo patamar estrutural de rentabilidade.
O que pode mudar com o novo projeto de lei?
A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3.540/2026, que agora segue para o Senado. A proposta prevê a redução da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para resseguradoras locais, de 15% para 9%, além de eliminar limitações para uso de créditos tributários acumulados.
O JPMorgan calcula que, se o projeto for aprovado integralmente, poderá representar um potencial adicional de 25% a 30% no valor de mercado do IRB. A medida reduziria a assimetria tributária entre resseguradoras locais e estrangeiras.
Os prêmios emitidos caíram 14% na comparação anual, somando R$ 1,15 bilhão, com retração nos setores de agronegócio, vida e riscos especiais. Apesar disso, o JPMorgan manteve recomendação de exposição acima da média (overweight) para a ação, citando o cenário construtivo entre rentabilidade e avanço regulatório.
