Empresário preso por agressão tentou parceria com Banco Master antes de fraude milionária
Mensagens indicam que Ivo Kos tentou integrar operação financeira que resultou em desvio de recursos e investigação da CVM
Por Redação Diário Local
O empresário Ivo Kos, preso por agredir a esposa em 14 de agosto, buscou o Banco Master para integrar uma operação financeira que, posteriormente, virou alvo de investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por fraude milionária.
Mensagens trocadas entre Kos e o ex-diretor de distribuição da securitizadora Virgo, Eduardo Levy, detalham a tentativa de viabilizar uma emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). A operação, que deveria captar R$ 130 milhões para um projeto em Belo Horizonte (MG), não teve aceitação de instituições financeiras, incluindo o Banco Master.
A tentativa de financiamento do empreendimento resultou no cancelamento da operação original. Como alternativa, a Virgo vendeu os títulos ao fundo de investimentos Allocation, do qual a própria securitizadora era a única cotista, conforme apuração da CVM.
Como funcionou o desvio de recursos
A investigação da CVM apontou que o dinheiro utilizado não saiu do caixa próprio da securitizadora, mas sim de fundos de reserva de 76 patrimônios separados de outros títulos (CRIs e CRAs) administrados pela Virgo. O uso desses recursos de terceiros ocorreu para tentar cobrir os desvios identificados por gestoras que exigiram a devolução dos valores.
Entre 1º e 21 de agosto do ano passado, a cúpula da Virgo realizou quatro aportes que somaram R$ 55 milhões. Esses valores foram retirados do fundo de obras do próprio CRI para serem aplicados no fundo de investimentos, criando uma operação circular. Segundo a CVM, cerca de 40% do valor supostamente captado para a obra sequer existia.
As comunicações entre os envolvidos, compartilhadas pela CVM, indicam que havia ciência da irregularidade. Em uma das mensagens, Kos afirmou que assumia um "risco mamute" na operação e que buscaria uma parte relevante das comissões pela estruturação.
A denúncia e o desdobramento do caso
Eduardo Levy, que ingressou na Virgo em janeiro do ano passado, renunciou ao cargo em 8 de julho de 2025 e apresentou uma denúncia formal à CVM. A comissão destacou que Levy não participou das manobras de investimento circular ocorridas em agosto, após sua saída.
A CVM concluiu que Ivo Kos agiu com dolo e má-fé na condução das operações. Ao ser convocado para prestar depoimento em outubro do ano passado, o empresário exerceu o direito de permanecer em silêncio.
