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Investigação

Mensagens mostram que empresário Ivo Kos tentou usar Banco Master em operação que gerou fraude na CVM

Diálogos entre empresário e ex-diretor mostram que operação com desvio de fundos de terceiros foi planejada por securitizadora.

Por Redação Diário Local

Mensagens trocadas entre o empresário Ivo Kos e o ex-diretor Eduardo Levy revelam detalhes de uma tentativa de integrar o Banco Master em uma operação financeira que resultou em investigação por fraude na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os diálogos mostram que Kos procurou a instituição para participar de uma oferta de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), mas o banco recusou a entrada na operação.

O esquema, conduzido pela securitizadora Virgo, da qual Kos é proprietário, consistiu no desvio de recursos provenientes de fundos de reserva de dezenas de emissões de terceiros. O objetivo era simular a captação de títulos e enganar investidores, conforme apurado pela CVM.

A manobra visava financiar a construção de um imóvel para o grupo Oncoclínicas, em Belo Horizonte (MG). A tentativa de captar o montante original via mercado de capitais fracassou porque diversas instituições financeiras consideraram a operação de alto risco e recusaram a compra dos títulos.

Como funcionava o esquema de desvio?

Após a recusa do mercado, a Virgo vendeu R$ 130 milhões em títulos ao fundo de investimentos Allocation, do qual a própria securitizadora era a única cotista. Contudo, o dinheiro para alimentar o fundo não saiu do caixa próprio da empresa, mas sim de fundos de reserva de 76 patrimônios separados de outros CRIs e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) administrados pela Virgo.

Quando gestoras de recursos descobriram os desvios e exigiram a devolução dos valores com correção, a Virgo não possuía novos recursos de terceiros para realizar os pagamentos. Para evitar a exposição, a cúpula da empresa utilizou o dinheiro destinado à própria obra para cobrir os saques do fundo.

Entre 1º e 21 de agosto do ano passado, foram realizados quatro aportes que totalizaram R$ 55 milhões. Esses recursos foram retirados diretamente do fundo de obras do projeto para serem aplicados no fundo de investimentos, criando uma operação circular onde o título passou a ter um crédito contra si mesmo.

A investigação da CVM concluiu que cerca de 40% do valor que supostamente deveria ter sido captado para a obra sequer existia. O órgão destaca que a movimentação financeira era incompatível com qualquer operação de mercado regular.

O que revelam as mensagens de Ivo Kos?

As comunicações privadas entre Kos e Levy são consideradas pilares de prova no Processo Administrativo Sancionador da CVM. Em uma mensagem enviada em 19 de maio do ano passado, o empresário afirmou estar assumindo um "risco MAMUTE" e que exigiria uma parte expressiva das comissões (fees) da estruturação.

Em outro diálogo, Kos demonstrou preocupação com a possibilidade de problemas, afirmando para Levy: "Se der ruim pra mim, seu nome tá limpo". A área técnica da CVM avalia que as mensagens demonstram receio de exposição, o que aponta para a ciência da ilicitude e má-fé por parte do empresário.

Convocado para prestar depoimento em outubro do ano passado, Ivo Kos exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio e se recusou a responder às perguntas da fiscalização. Vale notar que o empresário foi preso no último dia 14 de agosto, sob acusação de agressão contra a esposa.

Qual a situação de Eduardo Levy?

Eduardo Levy ingressou no Grupo Virgo em janeiro do ano passado. Após a recusa do mercado em aceitar a operação de crédito do projeto de Belo Horizonte, em maio, a cúpula da empresa foi alterada e Levy passou a atuar como Diretor de Distribuição, enquanto Kos assumiu a presidência.

Em 8 de julho de 2025, Levy renunciou ao cargo e apresentou uma denúncia formal contra a securitizadora à CVM. As mensagens que comprovam as irregularidades foram compartilhadas voluntariamente por ele ao órgão regulador.

Apesar de ter atuado como denunciante, Levy ainda é alvo de investigação. Ele responde pelas irregularidades ocorridas durante o período em que integrou a diretoria, o que inclui condutas imputadas em 39 das 76 emissões que foram afetadas pelo esquema de desvios.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.