Mercado livre de energia reduz custos para 73% das indústrias que aderiram ao modelo, diz CNI
Levantamento da CNI mostra que 41% das indústrias brasileiras já migraram para o mercado livre de energia desde 2024.
Por Redação Diário Local
A migração para o mercado livre de energia já apresenta resultados práticos na redução de custos para o setor industrial brasileiro. De acordo com o levantamento "Sondagem Especial Indústria e Energia 2026", divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira (30), 73% das indústrias que deixaram o mercado cativo e passaram para o mercado livre registraram queda no valor da conta de luz.
A pesquisa revela que 41% das indústrias do país já aderiram ao modelo de livre contratação desde 2024, ano em que o Ministério de Minas e Energia implementou regras que ampliaram o acesso de consumidores a esse ambiente. O movimento busca mitigar um dos principais gastos da produção nacional.
Por que o custo da energia é estratégico?
Para a CNI, a eletricidade é um fator determinante para a competitividade das empresas. O estudo indica que o consumo de energia elétrica é o principal insumo energético para 79% das indústrias brasileiras. Além disso, 83% dos empresários consultados consideram o custo da eletricidade decisivo para a disputa de mercado.
O impacto dos preços também é sentido no fluxo de caixa: 67% dos participantes afirmam que o aumento das tarifas afeta diretamente os custos de produção. Nos últimos 12 meses, 62% das empresas relataram ter sentido variações nos preços da energia, o que estimulou buscas por medidas de contenção de despesas.
Como resposta, 64% das indústrias adotaram estratégias para reduzir gastos. A migração para o mercado livre foi a escolha de 30% das companhias, enquanto 13% apostaram em eficiência energética ou em projetos de autogeração.
Diferenças entre grandes e pequenas empresas
O ritmo de adesão ao mercado livre varia significativamente entre o porte das organizações. Entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já realizam a compra de energia no ambiente de contratação livre. No segmento das pequenas empresas, o percentual é de 22%, com 45% dos negócios ainda permanecendo no mercado regulado (cativo).
Setores específicos também apresentam comportamentos distintos. A indústria calçadista registrou a maior adesão ao mercado livre, com 47% de participação. Já o setor de produtos de borracha lidera os investimentos em autogeração, com 25% das empresas do segmento investindo em produção própria.
O segmento de equipamentos de informática e produtos eletrônicos foi o que mais se destacou pelos investimentos em eficiência energética, realizados por 25% das companhias do setor. A tendência para os próximos anos é que a abertura gradual do setor continue impulsionando novas adesões.
