Polícia Federal aponta publicitário como articulador de campanha contra jornalistas e a favor do Banco Master
Investigação aponta que estrutura oferecia até R$ 2 milhões para influenciadores e monitorava dados de jornalistas
Por Diário Local
A Polícia Federal apontou o publicitário Thiago Miranda como o principal articulador de uma campanha clandestina e difamatória para apoiar o Banco Master. A identificação foi feita durante a 10ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (9).
Segundo os investigadores, a estrutura coordenada por Miranda tinha como objetivos proteger o núcleo dirigente da instituição financeira, manipular a opinião pública e intimidar jornalistas, concorrentes e pessoas ligadas à presidência do Banco Central (BC).
A Polícia Federal indicou que o grupo utilizava recursos financeiros provenientes de esquemas de fraudes relacionadas ao Banco Master para financiar as ações. Com esse suporte, a estrutura oferecia vantagens a jornalistas e influenciadores para obter apoio público à instituição.
As investigações detalharam que o núcleo oferecia propostas de até R$ 2 milhões para a publicação de conteúdos favoráveis ao banco ou para questionar a atuação do Banco Central. O objetivo era defender a instituição no contexto de sua liquidação.
Para executar as abordagens, as propostas exigiam a assinatura de acordos de confidencialidade. Em caso de quebra de sigilo, estava prevista uma multa contratual de R$ 800 mil para os envolvidos.
Monitoramento de jornalistas
O relatório policial detalha que Thiago Miranda e o fundador do banco, Daniel Vorcaro, planejavam estratégias de monitoramento contra profissionais da imprensa. O foco era o levantamento de dados pessoais, profissionais, familiares e patrimoniais para descredibilizar os alvos.
A investigação aponta que o grupo realizava buscas sobre estimativa de renda, movimentações bancárias e até identificação de familiares de jornalistas. Para obter esses dados sigilosos, a estrutura utilizava plataformas clandestinas de busca.
A Polícia Federal registrou tentativas de barrar conteúdos jornalísticos por meio de abordagens diretas. Em um dos episódios, o publicitário tentou fazer com que uma jornalista retirasse de circulação uma reportagem prejudicial a Vorcaro, mas o pedido foi recusado.
Em outro caso relatado pelos investigadores, a estrutura obteve sucesso na remoção de um conteúdo após abordar o sócio de uma consultoria de investimentos. Após a ação, o publicitário teria enviado uma mensagem comemorando o arquivamento do material.
A estrutura também teria procurado o vereador Rony Gabriel com uma minuta de acordo vinculada ao chamado "Projeto DV", iniciais de Daniel Vorcaro. O termo previa que o parlamentar gravasse vídeos afirmando que o banco teria sido vítima do Banco Central.
Depoimento e defesa
Em depoimento à Polícia Federal, Thiago Miranda afirmou que conheceu Vorcaro quando o empresário ofereceu R$ 3,5 milhões para comprar um portal de notícias. O publicitário relatou que passou a oferecer serviços de gerenciamento de imagem para defender os interesses do banqueiro.
A defesa de Thiago Miranda negou qualquer prática de ilegalidade e afirmou que o publicitário sempre pautou sua atuação pela legalidade e transparência. Em nota, os advogados declararam que ele não praticou atos criminosos nem condutas para intimidar ou coagir terceiros.
Os defensores ressaltaram ainda que a existência de uma investigação não permite juízos antecipados de culpa. A defesa afirmou que o publicitário está à disposição das autoridades para colaborar com a apuração dos fatos no foro próprio.
