Veto da União Europeia à carne brasileira pode elevar preços no mercado interno
Restrições ao setor de proteína animal pelo bloco europeu e limitações de cota na China podem reduzir oferta e aumentar custos no país
Por Redação Diário Local
O veto da União Europeia (UE) à exportação de determinados produtos de origem animal produzidos no Brasil pode contribuir para uma alta nos preços da carne no mercado interno. A restrição, que entra em vigor no dia 3 de setembro, reduz o número de mercados para os frigoríficos nacionais e pode provocar uma reorganização da oferta de proteína animal no país.
A medida europeia é justificada por autoridades do bloco devido a supostas falhas no controle do uso de antimicrobianos na cadeia produtiva brasileira. A Comissão Europeia afirma que o Brasil não apresentou garantias suficientes de que os controles exigidos estariam plenamente implementados até setembro de 2026.
Atualmente, a União Europeia recebe cerca de 3,7% das exportações do setor de carne bovina no Brasil. No ano passado, os países europeus compraram 128,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, concentrando principalmente cortes de maior valor agregado.
Por que o preço da carne pode subir no Brasil?
Com a redução do acesso a compradores internacionais, o setor produtivo pode enfrentar uma mudança na dinâmica de oferta e demanda. Caso os frigoríficos reduzam o ritmo de produção ou os investimentos para evitar o excesso de estoque, a tendência de longo prazo é que a menor oferta pressione as cotações para o consumidor final.
Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), avalia que, embora possa haver uma diminuição inicial nos preços, a redução na produção deve provocar altas no médio e longo prazo. O setor acompanha com atenção os efeitos das barreiras comerciais sobre o cenário inflacionário.
Quais são as restrições impostas pela China?
Somado ao veto europeu, a cadeia da carne bovina brasileira também enfrenta limitações no mercado chinês. A China estabeleceu uma cota anual para importações e aplicará uma tarifa adicional de 55% sobre o volume que ultrapassar o limite definido para cada fornecedor.
Para 2026, a cota do Brasil na China é de 1,106 milhão de toneladas. De acordo com o Ministério da Agricultura, o país já utilizou cerca de 80% do volume autorizado até o momento. A limitação chinesa, somada à restrição da União Europeia, amplia a preocupação do setor com a redução da demanda externa de curto prazo.
O governo brasileiro contesta a decisão da União Europeia e afirma que o sistema de fiscalização e o controle sanitário nacional atendem aos padrões internacionais.
