XP reduz projeções para construtoras e mantém Cyrela como favorita para 2026
Relatório aponta deterioração no setor devido a estoques altos em São Paulo e juros elevados; Cyrela segue como preferência.
Por Redação Diário Local
A XP Investimentos reduziu as projeções para o setor de construtoras de média e alta renda em 2026. A análise aponta que o cenário para o segmento se deteriorou devido aos estoques elevados em São Paulo, à queda na velocidade de vendas e à manutenção dos juros em patamares altos.
Segundo relatório assinado pelos analistas Ygor Altero e João Rodrigues, o ambiente também sofre pressão por incertezas relacionadas à política fiscal e ao cenário eleitoral. Com isso, as estimativas agregadas para lançamentos e vendas líquidas do setor — com exceção da Moura Dubeux — foram reduzidas em 4% e 12%, respectivamente.
A deterioração do setor está ligada, principalmente, ao comportamento do mercado em São Paulo. De acordo com a XP, os estoques na capital paulista não apresentaram melhora relevante desde o início do ano, enquanto a velocidade de vendas sobre a oferta (SoS) vem apresentando queda constante.
Além dos fatores de mercado, o custo do capital influencia os resultados das companhias. A alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos, que se aproximam de 5%, também foi um fator considerado para as revisões das estimativas da casa de análise.
Cyrela segue como principal preferência
Apesar da revisão para baixo, a XP reiterou a Cyrela como sua principal preferência no setor. A companhia apresenta forte desempenho operacional e tem melhorado sua performance no segmento de baixa renda, equilibrando o desempenho no segmento de alta renda.
A recomendação de compra para a Cyrela foi mantida, mas o preço-alvo foi cortado de R$ 42 para R$ 37. A expectativa é que a empresa entre em uma fase de forte crescimento de receita até 2027, quando o volume deve atingir um nível mais estabilizado.
Lavvi e Moura Dubeux em destaque
A Lavvi também consta como preferência da corretora, com recomendação de compra mantida, apesar da redução do preço-alvo de R$ 26 para R$ 19. A XP espera que a empresa alcance um ritmo operacional mais maduro a partir de 2027, favorecendo a gestão de caixa e dividendos.
Já a Moura Dubeux teve o preço-alvo mantido em R$ 38, com recomendação de compra. A empresa se destacou por superar as estimativas no primeiro semestre, com vendas 8% acima do esperado e reconhecimento de receita 13% superior à projeção da casa.
Análise de Eztec e Even
A XP manteve recomendação neutra para a Eztec, reduzindo o preço-alvo de R$ 19 para R$ 16. A companhia superou estimativas em margem bruta e geração de caixa, mas ficou abaixo das projeções de receita e lucro devido ao estágio inicial de alguns projetos.
Para a Even, a recomendação de compra foi mantida, mas o preço-alvo foi reduzido de R$ 10 para R$ 6 para o fim de 2026. O desempenho do primeiro semestre foi prejudicado pela menor velocidade de vendas e pelo impacto do aumento do custo de capital.
Trisul e Melnick no radar
A Trisul teve o preço-alvo reduzido de R$ 8 para R$ 6 para o final de 2026. A companhia planeja aumentar sua participação em projetos de média renda, setor que a XP considera ter oferta insuficiente, mas a casa mantém cautela com a exposição da empresa.
Por fim, a Melnick teve o preço-alvo mantido em R$ 5 e recomendação de compra preservada. A análise destaca a diversificação da companhia entre seu negócio principal e a unidade Partners, com potencial de valorização estimado em 72%.
