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Mariana

Advogado pede retirada de seu nome de escritório que atua no caso de Mariana em Londres

Harris Pogust solicitou a exclusão de seu nome do escritório PG, que representa vítimas do desastre da Samarco na Justiça britânica.

Por Redação Diário Local

O advogado norte-americano Harris Pogust solicitou a retirada de seu nome do escritório PG (Pogust Goodhead), sediado em Londres. A banca é uma das responsáveis pela representação das vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em uma ação contra a mineradora BHP na Justiça britânica.

Pogust deixou a sociedade do escritório em dezembro de 2024. Por meio de uma publicação em rede social nesta quarta-feira (23), o advogado manifestou o pedido de remoção de seu nome e criticou a postura da empresa.

O advogado questionou a possibilidade de o escritório PG exigir pagamentos de vítimas que optarem por contratar outros advogados para representá-las na ação judicial. Segundo Pogust, a ameaça de processos contra clientes que buscam mudança de representação prejudica sua imagem.

O ex-sócio Tom Goodhead, que também deixou o escritório após ser afastado do cargo de CEO em agosto de 2025, manifestou apoio à decisão. Goodhead afirmou que já ajuizou uma ação no Brasil para impedir o uso de seu nome no país e prepara medidas judiciais no Reino Unido.

Em nota, o escritório PG afirmou que planeja a alteração de sua denominação há algum tempo. A banca declarou que não tem intenção de manter vínculos com pessoas que não integram mais a estrutura da firma e que o nome deve refletir a nova realidade da gestão.

A empresa ressaltou que Harris Pogust não possui envolvimento na gestão ou nas operações do escritório há aproximadamente três anos. Segundo a nota, nenhum dos dois fundadores exerce atualmente qualquer função na administração da banca.

Disputa pela representação das vítimas

Atualmente, o PG e o BGI (Bailey Glassler International) disputam o direito de representar as vítimas de Mariana. O BGI é o braço internacional do escritório americano Bailey & Glassler e contratou, em 17 de setembro (17), quatro ex-sócios do PG e outros dois advogados que atuavam no caso.

Uma audiência está agendada para os dias 5 e 6 de outubro (05 e 06), em Londres, para ouvir representantes de ambos os escritórios. O foco do debate será a autoridade do comitê de representantes das vítimas, que decidiu passar a representação para o BGI.

O escritório PG afirmou que a mudança de representação pode resultar em custos contratuais e financeiros. No entanto, a banca declarou que o tema não será decidido pela Justiça durante a audiência de outubro, que tratará apenas da autoridade do comitê e da definição de quais escritórios representarão quais autores.

O cálculo dos valores das indenizações deve ocorrer em uma fase posterior do processo, com previsão de início para 2027. Estima-se que o montante total das indenizações possa atingir £ 36 milhões (R$ 247 milhões).

Contexto jurídico e histórico

O caso envolve o desastre ocorrido em 2015, quando a barragem de Fundão, da mineradora Samarco, rompeu em Minas Gerais. Em novembro de 2025, o Tribunal Superior de Londres decidiu que a mineradora BHP é culpada pelo evento.

A BHP e a Vale são as proprietárias da Samarco. A disputa jurídica em Londres continua sendo um ponto central para a reparação das vítimas do desastre.

Existe uma controvérsia sobre se a decisão do comitê de representantes vale para todas as vítimas ou apenas para o grupo que integra o comitê. A Justiça britânica deverá examinar as consequências dessas escolhas após as definições de representação.

O processo de indenização deve levar vários anos para ser concluído. O desdobramento da disputa entre o PG e o BGI impacta diretamente a condução do caso das vítimas na Justiça do Reino Unido.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.