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Ciência

Nova espécie de macaco com lábios alaranjados é identificada no Congo

Espécie Colobus congoensis apresenta características físicas únicas e pode estar em risco de extinção, aponta estudo.

Por Davy Albuquerque

Cientistas identificaram uma nova espécie de macaco na República Democrática do Congo (RDC), batizada de Colobus congoensis. O animal, conhecido localmente como Likweli, apresenta lábios alaranjados, pelagem preta brilhante e um rugido profundo.

A descoberta foi detalhada em um estudo publicado na revista PLOS ONE nesta quarta-feira (15). Esta é apenas a quinta nova espécie de macaco identificada por cientistas no continente africano nos últimos 75 anos.

De acordo com pesquisadores da Florida Atlantic University (FAU) e do City University of New York Graduate Center, o primata possui marcas faciais em tons de laranja e creme. Além disso, o animal é menor que os macacos colobus aparentados, pesando cerca de 6,8 quilos.

Quais as características do Colobus congoensis?

O estudo aponta que a espécie possui características cranianas, dentárias e esqueléticas distintas dos outros macacos colobus africanos conhecidos. O registro científico teve início em 2008, após a fotografia de um espécime incomum, e foi consolidado com 114 avistamentos entre 2018 e 2022.

A análise genética revelou que o parente mais próximo do novo macaco é o Colobus satanas, encontrado a mais de 1.200 quilômetros de distância. As evidências mostram que as duas espécies divergiram evolutivamente há aproximadamente 4 a 5 milhões de anos.

A dificuldade em documentar o animal por tanto tempo deveu-se à vastidão da floresta tropical congolesa e ao pouco conhecimento local. De acordo com especialistas, apenas moradores de poucas aldeias que fazem fronteira com a área de distribuição do primata conseguiram descrevê-lo.

Por que a espécie corre risco de extinção?

Pesquisadores propõem que o Colobus congoensis seja classificado como espécie em perigo de extinção. O risco é motivado pela distribuição geográfica restrita, que abrange uma área de cerca de 1.700 quilômetros quadrados, somada à perda de habitat e à pressão da caça.

A maior parte do habitat conhecido do Likweli está localizada dentro do Parque Nacional de Lomami. Para os autores do estudo, a proteção rigorosa desta região é considerada uma medida crucial para garantir a sobrevivência da espécie na natureza.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.