Diário Local
Assédio Eleitoral

MPT investiga denúncia de empresas que 'sequestram' dados eleitorais de funcionários

Procuradora do Ministério Público do Trabalho afirma que empresas usam títulos de eleitores para monitorar votos e ameaçam demissões.

Por Redação Diário Local

O Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal (MPT-DF) investiga denúncias de uma nova modalidade de assédio eleitoral, que consiste no uso de dados de títulos de eleitores de funcionários e de seus familiares para monitorar o desempenho de candidatos. O objetivo das empresas seria verificar se os votos em determinadas zonas e seções eleitorais coincidem com o apoio político de seus gestores.

A procuradora do trabalho Geny Helena Marques relatou que tomou conhecimento da prática durante reuniões com entidades sindicais para combater o assédio. Segundo a procuradora, empresas estariam realizando o mapeamento de seções para computar o número de votos por região e, caso o resultado não atinja a expectativa, haveria ameaça de demissões em massa.

A conduta foi classificada pela procuradora como uma versão moderna do antigo "voto de cabresto", prática historicamente ligada ao coronelismo. Embora o voto seja secreto, o sistema eleitoral brasileiro permite o acompanhamento do desempenho de candidatos por cidade, estado e zona eleitoral, o que possibilita o cruzamento de dados.

Recomendações preventivas

Em resposta às denúncias, o MPT enviou recomendações preventivas para empresas dos setores de segurança, asseio e conservação no dia 29 de agosto (29). Nos ofícios, o órgão afirmou que essas empresas não podem adotar esse tipo de prática de monitoramento.

A procuradora questionou as empresas sobre a finalidade da posse de tais dados e exigiu que, caso não haja uma justificativa plausível para a atividade profissional, as informações sejam eliminadas. O órgão busca evitar que dados pessoais sejam usados para fins de controle político.

O Ministério Público também monitora tentativas de impedir o direito de voto, especialmente em setores que funcionam aos domingos, como supermercados, vigilância e limpeza. Em eleições anteriores, houve relatos de colaboradores que foram impedidos de sair para votar devido ao alinhamento político divergente do empregador.

Como fazer a denúncia

Trabalhadores que sofrerem qualquer tipo de assédio eleitoral podem apresentar queixas presencialmente no MPT ou por meio de canais digitais. O órgão oferece duas modalidades de proteção: a denúncia anônima e a denúncia sob sigilo.

Na denúncia sigilosa, a identidade do trabalhador é preservada, mas o MPT pode entrar em contato com ele para coletar detalhes que ajudem na investigação. Já na denúncia anônima, o contato com o denunciante não é possível caso faltem dados indispensáveis para o processo.

Para auxiliar a apuração, a orientação é que o trabalhador reúna o máximo de provas possível. Entre as evidências recomendadas estão capturas de tela (prints) de aplicativos de mensagens e publicações em redes sociais. Em casos de mensagens com visualização única, o trabalhador pode tirar fotos ou gravar a tela com outro aparelho antes que o conteúdo seja apagado.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.